A vacina contra herpes-zóster pode ter efeito no coração. O que muda para o brasileiro?

Vacina contra herpes-zóster pode ter relação com a saúde do coração? Veja o que a nova pesquisa descobriu e o que isso significa no Brasil.

28 ago 2026 - 21h00
(atualizado às 21h04)
Resumo
Um estudo publicado na Nature Medicine associou a vacina recombinante contra herpes-zóster a uma redução de 9% em eventos cardiovasculares, como insuficiência cardíaca. Contudo, especialistas ressaltam que o imunizante não deve ser tomado para proteger o coração, pois o efeito ainda precisa de confirmação e seu foco principal segue sendo a prevenção do cobreiro. No Brasil, a vacina não está disponível no SUS, sendo encontrada apenas em clínicas privadas.

Quem está pensando em tomar a vacina contra herpes-zóster pode ter se deparado com uma informação inesperada. A versão mais moderna do imunizante foi associada a uma menor ocorrência de alguns problemas cardiovasculares.

Vacina contra herpes-zóster / Canva
Vacina contra herpes-zóster / Canva
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

A descoberta chama atenção, mas não significa que a vacina já possa ser usada para prevenir infarto ou insuficiência cardíaca. Então, o que essa pesquisa realmente mostra e isso muda alguma coisa para quem está no Brasil?

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Por que essa vacina chamou atenção?

A vacina contra herpes-zóster já é conhecida por ajudar a evitar o chamado cobreiro e suas complicações. O que surpreendeu agora foi outro possível efeito: uma relação com a saúde do coração.

A pista surgiu nos Estados Unidos depois que a vacina mais antiga foi substituída pela versão recombinante (feita com partes do vírus, e não com o vírus vivo), usada atualmente.

Essa mudança permitiu comparar pessoas que receberam as duas versões e acompanhar como a saúde delas evoluiu nos anos seguintes.

Foram analisados 36.460 adultos com 60 anos ou mais em cada grupo. Um recebeu predominantemente a vacina antiga; o outro, a recombinante. Os registros médicos foram acompanhados por até sete anos.

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O que aconteceu com o coração?

Ao longo de até sete anos de acompanhamento, quem recebeu predominantemente a vacina recombinante apresentou 9% menos problemas cardiovasculares.

Entre os resultados analisados, a diferença apareceu principalmente em:

  • Doença cardíaca isquêmica: 10% menor;
  • Insuficiência cardíaca: 12% menor;
  • Fibrilação atrial: 7% menor.

No caso do AVC isquêmico, o resultado foi mais específico. Não houve diferença significativa entre todos os participantes, mas entre os homens a ocorrência foi 12% menor.

Esses números ajudam a explicar por que o resultado chamou atenção. A partir daí, a principal dúvida é entender por que uma vacina contra o herpes-zóster poderia estar relacionada também à saúde do coração.

Por que uma vacina contra herpes teria relação com o coração?

Os pesquisadores ainda não sabem ao certo.

Uma possibilidade é que o próprio herpes-zóster provoque alterações no organismo que também podem estar relacionadas a problemas no coração e nos vasos sanguíneos.

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Se a vacina evita que o vírus volte a se manifestar, ela poderia ter algum efeito além de prevenir o cobreiro.

Outra possibilidade é que a própria vacinação provoque mudanças nas defesas do organismo que ajudem a proteger o coração.

É uma hipótese que ainda está sendo investigada e que pode ajudar a explicar por que a versão recombinante chamou tanta atenção nessa pesquisa.

Então vale tomar a vacina para proteger o coração?

Não com esse objetivo.

O benefício já conhecido da vacina continua sendo a prevenção do herpes-zóster e de suas complicações. A possível proteção cardiovascular é uma descoberta nova, que ainda precisa ser confirmada.

Publicado na revista Nature Medicine, o estudo mostra uma associação interessante, mas ainda não suficiente para mudar a indicação da vacina.

E para quem está no Brasil, o que muda?

A vacina recombinante não faz parte do calendário de vacinação do SUS.

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Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar o imunizante à rede pública após avaliação da Conitec, considerando os custos e o impacto da estratégia para o sistema de saúde.

Por isso, quem tem indicação e decide se vacinar precisa recorrer à rede privada. O esquema completo é feito com duas doses.

No momento, portanto, a possível relação com o coração não deve ser usada como motivo para tomar a vacina. Se novas pesquisas confirmarem esse benefício, a descoberta poderá mudar essa discussão no futuro.

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Fonte: SaúdeLAB
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