Aos 48 anos, Maju Coutinho anunciou sua primeira gravidez, fomentando o debate sobre a maternidade tardia. Especialistas explicam que a fertilidade cai significativamente após os 35 anos, elevando os riscos de aborto e anomalias genéticas. Apesar dos desafios, a medicina reprodutiva — com fertilização in vitro e ovodoação — e o acompanhamento pré-natal rigoroso tornam a gestação viável e segura, exigindo monitoramento de complicações como a pré-eclâmpsia.
A jornalista Maju Coutinho surpreendeu o público ao revelar em suas redes sociais que está esperando seu primeiro filho aos 48 anos, fruto de seu relacionamento com o artista plástico Agostinho Paulo Moura, de 61 anos.
"Mãe de primeira viagem e pai de terceira viagem embarcando no show da vida particular", escreveu a apresentadora no anúncio. A notícia gerou grande curiosidade e levantou debates importantes sobre a gestação tardia.
Impactos da idade na fertilidade
As mulheres nascem com uma quantidade pré-determinada de óvulos, que sofrem uma queda considerável na quantidade e na qualidade com o passar dos anos. "Principalmente a partir dos 35 anos, a chance de gravidez espontânea cai significativamente", explica o ginecologista Dr. Igor Padovesi.
Aos 40 anos, sem nenhum outro fator de infertilidade envolvido, a chance de conceber a cada tentativa é de apenas 5% a 10% no máximo, tornando gestações nessa faixa etária uma situação de exceção.
Além da redução numérica, o envelhecimento dos óvulos aumenta a frequência de anomalias genéticas chamadas aneuploidias, onde o óvulo apresenta um número incorreto de cromossomos. O especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, Dr. Rodrigo Rosa esclarece que "a maioria dos embriões com muitos ou poucos cromossomos não resulta em gravidez ou resulta em aborto espontâneo".
O Dr. Padovesi acrescenta que, aos 40 anos, a taxa de aborto espontâneo fica entre 30% e 40%. Enquanto o risco de ter um bebê com Síndrome de Down sobe para aproximadamente 1% (cerca de dez vezes maior do que aos 30 anos).
Alternativas e cuidados médicos essenciais
Apesar dos desafios naturais, a medicina reprodutiva oferece caminhos eficazes como a Fertilização In Vitro (FIV), procedimento em que o óvulo é fecundado em laboratório. Uma das grandes vantagens da FIV é a possibilidade de realizar exames genéticos nos embriões, selecionando apenas aqueles sem alterações cromossômicas para implantação no útero.
Para mulheres com idade mais avançada e baixa reserva ovariana, Dr. Rosa destaca a ovorecepção. O método utiliza óvulos doados e eleva as chances de sucesso para cerca de 60% por tentativa. Independentemente do método escolhido, o acompanhamento multidisciplinar rigoroso é indispensável para garantir a segurança da mãe e do bebê.
"Depois dos 40 anos, é muito importante fazer uma avaliação médica completa antes de uma gestação, controlar o peso, ter uma alimentação saudável, manter um bom estilo de vida… e fazer uma suplementação adequada", orienta a ginecologista especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Dra. Ana Paula Fabricio.
Durante o pré-natal, o monitoramento deve ser redobrado, já que "na gravidez tardia, também é muito importante monitorar a pressão arterial, porque existe uma chance maior de pré-eclâmpsia", conclui a especialista.