A ficção brasileira retratou a política por meio de sátiras e críticas memoráveis. Vilões corruptos e coronelistas marcaram época, como Odorico Paraguaçu, Florindo Abelha, Demóstenes Maçaranduba, Sabá Bodó, Romildo Rosa e Ramiro Bastos. Em contrapartida, as novelas também trouxeram figuras de integridade e esperança representadas por Sassá Mutema e o senador Roberto Caxias. Entre manipulações e tragédias, esses oito personagens refletiram vícios e virtudes do cenário nacional nas telas da TV.
Entre vilões e mocinhos, a MALU reuniu uma seleção imperdível para você recordar
2026 é ano eleitoral e, faltando poucos meses para a festa da democracia, talvez o clima nos seus almoços de família não esteja dos melhores. Mas a política nacional não vive só de discussões intermináveis: as novelas brasileiras sempre a representaram muito bem (ou mal!). Entre sátiras, críticas e até mensagens de esperança, vários personagens políticos passaram pelos nossos folhetins. Confira!
Odorico Paraguaçu (O Bem-Amado, 1973)
Interpretado por Paulo Gracindo, o prefeito de Sucupira talvez seja o político mais emblemático da TV brasileira. Sua principal promessa de campanha era inaugurar o cemitério municipal, e ele aprontava de tudo para se manter no poder. Zeca Diabo (Lima Duarte) acabou por assassiná-lo, transformando Odorico no primeiro defunto enterrado no tão sonhado cemitério no final da trama.
Florindo Abelha (Roque Santeiro, 1985)
Vivido por Ary Fontoura, o prefeito de Asa Branca funcionava como um fantoche sob o domínio de Sinhozinho Malta (Lima Duarte) — este sim, o verdadeiro poderoso do local. O folhetim permanece aclamado entre as maiores novelas de todos os tempos por ironizar líderes messiânicos e soluções fáceis na política.
Sassá Mutema (O Salvador da Pátria, 1989)
Vivido por Lima Duarte, o boia-fria foi manipulado pelo deputado Severo Toledo Branco (Francisco Cuoco) e acabou confessando um assassinato que não cometeu. Após muita luta para provar sua inocência, Sassá conquistou a prefeitura de Tangará e encerrou a novela com um discurso emocionante sobre honestidade.
Demóstenes Maçaranduba (Fera Ferida, 1993)
José Wilker — que ganhou o Prêmio APCA de Melhor Ator pelo papel — viveu o prefeito de Tubiacanga. Dissimulado, corrupto e sem escrúpulos, o personagem transformou a cidade em chacota até ser desmascarado e perder o cargo no final da trama.
Roberto Caxias (O Rei do Gado, 1996)
Interpretado por Carlos Vereza, Roberto chegou ao Senado para levantar a bandeira da reforma agrária e brigar pela melhoria das condições do povo brasileiro. Longe de ser um vilão, ele lutava para proteger a população.
Romildo Rosa (A Favorita, 2008)
Vivido por Milton Gonçalves, o personagem veio de família pobre e ascendeu graças à sua frieza: virou um deputado federal que lucrava com o tráfico de armas no país e praticava atos ilícitos durante toda a trama. No final da novela, arrependeu-se após uma tragédia pessoal, quando sua filha Alícia (Taís Araújo) foi atingida por uma bala perdida.
Sabá Bodó (Mar do Sertão, 2022)
Interpretado por Welder Rodrigues, o prefeito de Canta Pedra encarnava o típico político corrupto de novela, engraçado, mas inescrupuloso. A trama mostrou sua queda, e ele terminou o folhetim na cadeia, dando lugar a Xaviera (Giovana Cordeiro) — esta sim, uma prefeita digna.
Coronel Ramiro Bastos (Gabriela, 1975 e 2012)
O poderoso fazendeiro de cacau e chefe político de Ilhéus, interpretado por Paulo Gracindo na versão original e por Antonio Fagundes no remake. Símbolo do coronelismo, ele mantinha o poder por meio de violência e fraudes eleitorais, mas morreu no fim da trama, finalmente abrindo espaço para a democracia.