Cachorro que morreu durante queima de fogos no Réveillon no Rio participou de novela da Globo

O barulho provocou a morte de Duque e de outros dois animais no abrigo Toda Vida Importa

8 jan 2026 - 04h59
O cachorrinho Duque morreu após sofrer consequências com o barulho da queima de fogos no Ano Novo
O cachorrinho Duque morreu após sofrer consequências com o barulho da queima de fogos no Ano Novo
Foto: Arquivo pessoal/Cedido ao Terra

A jornalista Ana Paula Silva de Alcântara Lima, de 49 anos, revela dias difíceis no abrigo Toda Vida Importa, localizado no bairro de Vargem Grande, no Rio de Janeiro. Desde o dia 31 de dezembro, os animais resgatados pela ONG sofrem com os efeitos causados pelo barulho dos fogos de artifício durante o Réveillon. Um deles, o cachorro Duque, de 14 anos, acabou morrendo em razão do estresse ocasionado pela queima de fogos.

"Tivemos o óbito de Duque e tivemos vários animais que convulsionaram. Outros dois animais tiveram morte súbita, por causa da quantidade de fogos. Toda vez que há queima de fogos é um absurdo, a gente sofre muito e os animais também", contou em entrevista ao Terra.

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Duque participou do remake da novela da Rede Globo Elas por Elas (2023), onde ganhou o carinho do elenco e, em especial, da atriz Thalita Carauta. Na trama, a atriz interpretava Adriana, dona de uma clínica veterinária e amante de animais.

Duque ao lado da atriz Thalita Carauta; cachorro participou do remake de 'Elas por Elas'
Foto:

Ana Paula trabalha com resgate de animais há mais de 30 anos, mas a ONG Toda Vida Importa foi oficializada há 4 anos. Atualmente, o abrigo tem cerca de 550 cachorros e 400 gatos, divididos em dois espaços. 

No local, há animais resgatados que foram vítimas de maus-tratos e abandonos e, por isso, chegam traumatizados. A pitbull Luma, que tem problemas neurológicos, é um dos cachorros que está sofrendo com as consequências da queima de fogos na virada do ano, assim como Peteleco e Apolo. 

"Como esses animais são resgatados, eles vêm com muitos problemas de saúde. Muitos deles acabam convulsionando, e os que têm problemas de coração acabam infartando por causa dos fogos. O susto do barulho também faz com que os animais briguem entre si", explicou.

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Ela relatou que planeja levar os animais do abrigo para um novo local em Pedra de Guaratiba (RJ), tendo em vista que o bairro onde a ONG atua prejudica o cuidado com os animais.

Ana Paula tem abrigo com quase 1.000 animais no Rio de Janeiro
Foto: Arquivo pessoal/Cedido ao Terra

"Estamos tentando sair daqui, porque tivemos vizinhos que envenenaram os animais. Tivemos 40 óbitos no meio do ano. Já conseguimos levar em torno de 350 cachorros para o sítio em Pedra de Guaratiba, mas a gente está lutando para construir os espaços necessários para separar os animais", disse.

A jornalista afirmou que o abrigo Toda Vida Importa é o maior em quantidade de animais no Rio de Janeiro. De acordo com ela, embora exista a lei que proíba a prática, não há fiscalização. 

"O problema do poder público é que eles botaram na cabeça que ONG tem a obrigação de cuidar dos animais, mas o trabalho da ONG é voluntário, de várias pessoas que se reúnem para salvar vidas. No meu caso, tenho quase 1.000 animais, e moro sozinha com eles. Eu dedico todos os meus recursos e toda a minha vida para salvar eles, mas o poder público não olha pra gente", declarou.

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Ela ressaltou que a ONG não recebe nenhum tipo de ajuda de figuras políticas ou do próprio governo. "Quando um animal é atropelado em via pública, é obrigação do município recolher e tratar esse animal, mas isso não acontece. A gente sofre todos os dias e, na verdade, quem paga por isso são os animais, que são as vítimas", lamentou.

No Rio de Janeiro, é proibido o uso de fogos de artifício que causem poluição sonora, como estouros e estampidos. A depender do evento, empresas privadas e a Prefeitura do Rio de Janeiro podem usar fogos com estampido reduzido em 50% ou sem barulho. 

A reportagem entrou em contato com as autoridades para obter um posicionamento em relação à queima de fogos com barulho durante a virada do ano, mas até a publicação do texto não teve retorno.

Fonte: Portal Terra
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