A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla reforça a conscientização e a inclusão. O psiquiatra Hugo Bioni explica que a deficiência intelectual afeta o funcionamento cognitivo e adaptativo, enquanto a múltipla associa duas ou mais condições. Ambas exigem atenção individualizada e surgem na infância. O diagnóstico precoce é crucial para iniciar terapias no momento ideal de desenvolvimento, garantindo mais autonomia, apoio familiar assertivo e redução do estigma social.
A Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, celebrada entre 21 e 28 de agosto, reforça a importância de ampliar o debate sobre desenvolvimento, inclusão e acesso a direitos. A data, instituída pela Lei nº 13.585/2017, também incentiva a conscientização sobre a identificação precoce dessas condições e a redução do estigma social.
De acordo com o psiquiatra Hugo Ogassawara Bioni, entender o que é deficiência intelectual e múltipla passa, antes de tudo, por reconhecer que não se trata apenas de rótulos clínicos. São diferentes formas de desenvolvimento humano. Elas exigem atenção individualizada.
"Esses termos vão muito além dos diagnósticos. Eles falam de pessoas, de trajetórias e de formas únicas de viver e desenvolver", explicou o especialista em um vídeo publicado no Instagram.
O que é deficiência intelectual?
A deficiência intelectual, conforme esclarecem especialistas, se caracteriza por limitações no funcionamento intelectual e no comportamento adaptativo. Essas limitações podem impactar a comunicação, o aprendizado, a resolução de problemas e a autonomia no dia a dia.
Segundo Bioni, os sinais aparecem ainda na infância. Eles surgem principalmente nas fases em que a criança começa a desenvolver habilidades cognitivas e sociais. Entretanto, a intensidade varia de pessoa para pessoa. A forma de manifestação também muda bastante.
E a deficiência múltipla?
A deficiência múltipla ocorre quando uma pessoa apresenta dois ou mais tipos de deficiência associados. As combinações podem envolver aspectos físicos, sensoriais, intelectuais ou outras condições. Contudo, não se trata apenas de somar diferentes deficiências.
A combinação pode produzir necessidades específicas relacionadas à comunicação, mobilidade, aprendizagem, autonomia e participação social. Por isso, cada caso precisa ser compreendido de maneira individualizada. Ademais, a avaliação pode exigir articulação entre profissionais e setores.
Sinais e importância do diagnóstico
Os sinais variam, mas alguns padrões podem aparecer. Dificuldades persistentes no aprendizado são um deles. Atrasos no desenvolvimento da linguagem também podem surgir. Além disso, a interação social e atividades cotidianas compatíveis com a idade podem se tornar desafiadoras.
O médico reforça que o diagnóstico não deve se basear em observações isoladas. Ele exige análise cuidadosa do histórico e do desenvolvimento ao longo do tempo ."É preciso olhar para esses históricos ou sinais e como eles se conectam para diferenciar essas condições de outras. Esse cuidado garante um diagnóstico mais preciso e um caminho terapêutico muito mais assertivo", destacou Bioni.
Por que o diagnóstico é tão importante?
O diagnóstico precoce permite iniciar intervenções mais cedo, em um momento em que o desenvolvimento ainda está em formação e pode responder melhor aos estímulos. Isso pode impactar diretamente a construção da autonomia e a qualidade de vida ao longo dos anos, favorecendo habilidades essenciais para o cotidiano.
Hugo Ogassawara Bioni também orienta famílias, escolas e profissionais de saúde, que passam a compreender melhor as necessidades específicas de cada pessoa. Com isso, o cuidado deixa de ser generalizado e se torna mais ajustado ao ritmo, às potencialidades e aos desafios individuais.
Para o especialista, o conhecimento também tem impacto social. "Falar sobre isso é uma forma de ampliar o respeito, combater os preconceitos e gerar mudanças reais para essas pacientes", afirma.
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