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O poder da música: cérebro de pessoas com demência ainda reage a canções favoritas

Pesquisa mostra que canções com significado pessoal continuam provocando respostas cerebrais mesmo em pessoas com Alzheimer e demência frontotemporal

28 set 2026 - 17h09
Resumo
Um estudo holandês revelou que pessoas com Alzheimer e demência frontotemporal mantêm reações cerebrais mais intensas ao ouvir canções com significado pessoal do que diante de faixas neutras. Monitorados por ressonância magnética, os pacientes demonstraram que a conexão emocional com a música persiste apesar do avanço das doenças neurodegenerativas. O achado reforça a importância da história individual do paciente e abre caminhos promissores para o aprimoramento da musicoterapia no cuidado da demência.

Uma música especial pode ser capaz de despertar emoções mesmo quando doenças como Alzheimer e outros tipos de demência já provocaram alterações importantes no cérebro. É o que sugere um novo estudo realizado por pesquisadores dos Países Baixos.

Estudo revela que o cérebro de pessoas com demência ainda responde de forma mais intensa às músicas favoritas e investiga essa conexão
Estudo revela que o cérebro de pessoas com demência ainda responde de forma mais intensa às músicas favoritas e investiga essa conexão
Foto: Reprodução: toa55/akaratwimages / Bons Fluidos

Cientistas do Centro de Alzheimer de Amsterdam e do Instituto de Neurociências dos Países Baixos descobriram que o cérebro de pessoas com demência continua apresentando uma resposta mais intensa diante de músicas com significado pessoal do que ao ouvir canções consideradas neutras.

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Os resultados, publicados na revista científica Brain Communications, ajudam a entender melhor a relação entre música e cérebro e podem contribuir, futuramente, para pesquisas sobre o uso da musicoterapia em pessoas com demência.

O que acontece no cérebro ao ouvir uma música querida?

Para realizar o estudo, os pesquisadores reuniram 60 participantes. Entre eles, 22 tinham doença de Alzheimer, 13 apresentavam demência frontotemporal e outros 25 eram indivíduos saudáveis que fizeram parte do grupo de comparação.

Cada voluntário escolheu músicas que tinham algum significado especial em sua vida. Durante o experimento, eles ouviram essas canções e também músicas consideradas neutras enquanto a atividade cerebral era observada por meio de exames de ressonância magnética. A intenção era justamente trabalhar com canções capazes de provocar uma conexão emocional verdadeira.

"Queríamos principalmente usar músicas que fazem você pensar: isso realmente mexe comigo. Gosto da ideia de que você pode estar deitado no aparelho e genuinamente aproveitando o momento", explica Jochum van 't Hooft, pesquisador do Centro de Alzheimer de Amsterdam, em comunicado. Essa escolha é importante porque músicas marcantes podem estar fortemente associadas às emoções e às memórias construídas ao longo da vida.

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Como ouvir música dentro de uma ressonância magnética?

Um dos obstáculos encontrados pelos cientistas foi o próprio equipamento utilizado na pesquisa. Isso porque a máquina de ressonância magnética produz ruídos bem altos, o que poderia interferir justamente no momento em que os participantes precisavam ouvir as canções. Para contornar o problema, a equipe desenvolveu uma estratégia que alternava os dois momentos.

"Desenvolvemos um protocolo especial: o aparelho fazia rapidamente uma imagem do cérebro e, em seguida, havia uma breve pausa durante a qual a música era reproduzida. Alternando a obtenção das imagens e a escuta em um ritmo fixo, conseguimos mapear como o cérebro respondia a diferentes tipos de música", explica Wietske van der Zwaag, do Instituto de Neurociências dos Países Baixos.

Assim, os pesquisadores conseguiram comparar a atividade cerebral provocada pelas músicas escolhidas pelos próprios participantes com aquela registrada diante das canções neutras.

Músicas favoritas provocaram uma resposta maior

Entre as pessoas saudáveis, os pesquisadores já esperavam encontrar uma reação mais intensa diante das músicas favoritas. O que chamou atenção foi perceber que o fenômeno também apareceu entre participantes com Alzheimer e demência frontotemporal.

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Ou seja, mesmo diante das alterações cerebrais provocadas por essas doenças, uma música com significado pessoal continuou desencadeando uma resposta cerebral diferente daquela provocada por uma canção sem a mesma conexão afetiva. Isso não significa que a demência não afete a relação com a música. Os próprios cientistas identificaram diferenças dependendo do tipo da doença.

Alzheimer e demência frontotemporal tiveram respostas diferentes

Nos participantes com demência frontotemporal, os pesquisadores encontraram menor atividade na chamada área motora suplementar (SMA), região cerebral relacionada aos movimentos e que também participa de aspectos ligados ao processamento e à memória musical.

Já entre aqueles com doença de Alzheimer, a resposta observada diante das músicas ficou mais próxima daquela registrada nos participantes sem demência. Essas diferenças podem ajudar os pesquisadores a compreender como distintos tipos de demência interferem nas redes cerebrais envolvidas na experiência musical.

O que a descoberta significa para a musicoterapia?

Os resultados também abrem espaço para novas investigações sobre o papel da música no cuidado de pessoas com demência. A musicoterapia já desperta interesse justamente pela capacidade da música de se relacionar com emoções, experiências pessoais e lembranças.

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O novo trabalho, porém, não significa que ouvir músicas favoritas seja capaz de reverter a demência ou recuperar capacidades cognitivas perdidas. O que os pesquisadores observaram foi que o significado pessoal da música continua produzindo respostas cerebrais mesmo em pessoas com Alzheimer ou demência frontotemporal.

A descoberta reforça, sobretudo, a importância de considerar a história individual de cada pessoa. Uma canção ligada a momentos importantes, relações ou experiências pode ter um impacto diferente de uma música escolhida aleatoriamente.

Mais do que simplesmente ouvir uma melodia conhecida, parece importar aquilo que aquela música representa. E compreender por que essa conexão permanece mesmo diante de alterações provocadas pela demência pode oferecer novas pistas sobre a relação entre cérebro, memória e emoção.

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