"Você sabia que dar um beijinho em um bebê pode transmitir mononucleose, coqueluche, herpes, bronquiolite e várias outras doenças respiratórias?" Foi com esse questionamento direto que a influenciadora digital Sara Ramalho Rossi, conhecida nas redes sociais como Sara Orttiz, acendeu um debate intenso na internet. O tema, que frequentemente gera desconforto e divergências entre familiares, ganhou repercussão após a criadora de conteúdo publicar um vídeo com um pedido claro: "Não beije bebês que não são seus. Nem no rosto, nem nas mãos, nem nos pés".
Embora o alerta tenha recebido o apoio e o agradecimento de milhares de mães que enfrentaram situações parecidas, a publicação também atraiu críticas e julgamentos de internautas que consideraram as medidas excessivas.
O trauma por trás do alerta para que 'não beijem um bebê'
Por trás do posicionamento firme nas redes, há uma história real de angústia e proteção. Em entrevista ao site Crescer, Sara revelou que tomou a decisão de gravar o conteúdo depois de ver a filha, Ana Catarina, hoje com 2 meses, adoecer gravemente com apenas 9 dias de vida. A menina contraiu uma forte gripe logo após receber as primeiras visitas de parentes em casa, em um encontro que nem sequer contou com aglomerações.
A experiência acendeu um sinal de alerta na rotina da família. "Fiquei com trauma e medo", relembrou a influenciadora. A partir daquele momento, ela estabeleceu um protocolo rígido para qualquer pessoa que desejasse se aproximar da recém-nascida: tornou-se obrigatório o uso de máscaras de proteção e a troca por roupas limpas antes do contato com a criança.
Conflitos familiares
As exigências sanitárias, contudo, não foram bem recebidas por todos e geraram atritos no núcleo familiar. "Isso fez com que parte da família da minha filha voltasse contra mim. Escutei muitas coisas que me magoaram muito", desabafou Sara. Entre as cobranças e comentários que a influenciadora precisou ouvir, estavam frases clássicas de tom jocoso como "nem filho de rico tem tanta frescura", "na minha época não era assim" e "prefiro ficar sem ver ela do que usar máscara". Na visão da mãe, a resistência de alguns parentes em cumprir normas simples de saúde transformou a situação em uma desavença desnecessária. Para ela, em determinado ponto, a discussão deixou de ser sobre cuidados médicos e "virou uma disputa de ego".
A necessidade de proteção demonstra-se ainda mais profunda devido ao histórico familiar de Sara. Aos 24 anos, ela enfrentou a dolorosa perda de um filho prematuro que faleceu enquanto estava internado na UTI neonatal. Como Ana Catarina é sua única filha viva, o instinto de blindar a saúde da menina sobrepõe-se a qualquer convenção social ou desejo de agradar terceiros. "Eu fiz esse vídeo para mostrar o que eu tive que passar. Porque as pessoas que julgam foram dormir tranquilas enquanto eu fiquei acordada a noite inteira com a minha filha", ressaltou.
Em relação às reações negativas e palpites sobre a sua forma de educar e proteger, a influenciadora adota uma postura prática e busca não absorver os ataques. "Geralmente eu ignoro opiniões ruins, apago os comentários e sigo minha vida. Tem gente que gosta de falar sobre o que nem sabe", concluiu. No fim, o relato ultrapassou o aspecto estritamente médico e abriu espaço para uma reflexão necessária sobre o respeito à autonomia das mães, o estabelecimento de limites saudáveis no puerpério e o peso da responsabilidade materna na proteção dos filhos.