Em condições habituais, o corpo feminino já reage de forma diferente às bebidas alcoólicas em comparação ao masculino, metabolizando o álcool lentamente e atingindo a embriaguez com maior facilidade. Durante a menopausa, contudo, período marcado por intensas oscilações hormonais que exigem ainda mais do organismo, os efeitos do álcool não somente mudam, como se intensificam.
Impactos da substância no climatério
De acordo com especialistas, a idade, por si só, já influencia a ação da substância no organismo. No entanto, a combinação com o fim da fase reprodutiva e a sobrecarga para regular o metabolismo deixa o sistema nervoso sensível e gera, consequentemente, impactos em diferentes órgãos. Em seu site, a ginecologista Natacha Machado explica que, inicialmente, o álcool intensifica sintomas comuns da menopausa, como os calorões. Isso ocorre porque a bebida provoca desidratação celular e elevação da temperatura corporal.
Além disso, a ingestão dessas bebidas, ricas em calorias, favorece o ganho de peso, um processo que já tende a ocorrer no climatério, mesmo quando as mulheres mantêm a alimentação habitual. Outro impacto relevante acontece no cérebro e no humor, pois o álcool potencializa as alterações hormonais. Dessa forma, a falta de atenção, os lapsos de memória e o estresse tendem a se acentuar. Como consequência, ainda ocorre a piora do sono e o aumento dos despertares noturnos.
"Muitas mulheres recorrem às bebidas alcoólicas para relaxar, mas é justamente o álcool que influencia no humor e deixa as pessoas mais sensíveis emocionalmente. Ademais, ao beber, a mulher reduz a disposição para atividades básicas do dia a dia", explicou a médica.
Consumo de álcool na menopausa
Segundo Machado, além do aumento dos sintomas, a substância também representa riscos à saúde. Ela explica que os órgãos mais afetados são o fígado e o coração. "O fígado, responsável por metabolizar o álcool, é outra vítima do consumo excessivo. A essa altura da vida, por volta dos 50 anos, o órgão não consegue dar conta de metabolizar tudo que é necessário. O resultado é, de novo, organismo inflamado e mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares", afirma.
Há ainda impactos sobre a microbiota intestinal, já que o composto prejudica a absorção de vitaminas e favorece o crescimento bacteriano desordenado. Como consequência, pode desencadear processos inflamatórios, elevar o risco da síndrome do intestino irritável e agravar quadros de diabetes. Especialistas também apontam maior probabilidade de câncer de mama e de efeitos adversos em mulheres que realizam reposição hormonal.
"Uma coisa é certa: beber no climatério é como jogar álcool na fogueira. Claro que não é proibido beber, mas faça isso com muita moderação. Escolha cuidadosamente o momento para ingerir uma taça de vinho com a parceria ou um drink com as amigas. Jamais faça disso um hábito", aconselhou Natacha Machado.