A história da gata Félicette é um dos capítulos mais impressionantes e trágicos da exploração espacial. Em 18 de outubro de 1963, ela se tornou a primeira e única felina a ser lançada para fora da Terra pelo programa espacial francês. Diferente da cadela Laika, Félicette sobreviveu à missão, mas o destino que a aguardava no retorno foi cruel.
Sobrevivendo ao impossível: 9,5 vezes a força da gravidade
Ela foi escolhida entre outros animais por seu tamanho e temperamento dócil para embarcar no foguete Véronique AG1. O lançamento ocorreu no Deserto do Saara, na Argélia, e durou menos de 15 minutos. Durante o voo, a gata enfrentou forças físicas brutais. Ela chegou a experimentar 9,5 g de aceleração, sendo que o ser humano comum desmaia com apenas 4 ou 5 g.
Os cientistas do CERMA monitoraram cada segundo da viagem através de eletrodos presos à cabeça do animal. O objetivo era entender como o ambiente espacial afetava a mente e os sinais vitais. Ao aterrissar com vida, Félicette virou um ícone nacional e recebeu seu nome em homenagem ao famoso desenho animado Felix, o Gato.
Glória de Félicette durou pouco
Infelizmente, a glória durou pouco tempo. Apenas dois meses após o sucesso da missão, a gata foi sacrificada pelos próprios cientistas franceses. O motivo foi o desejo de estudar seu cérebro de forma profunda. Eles queriam mais informações sobre os impactos neurológicos do voo que os eletrodos não conseguiram captar completamente.
Após o sacrifício, Félicette desapareceu da memória pública por décadas, enquanto outros animais ganhavam estátuas e homenagens. Sua trajetória só foi devidamente resgatada em 2020. Agora, uma estátua na Universidade Internacional do Espaço, na França, retrata a gata sentada em um globo, olhando para as estrelas de maneira serena.