Como fugir do radicalismo nas dietas?

É possível ter saúde comendo o que você gosta: atente-se a quantidade

14 abr 2026 - 14h21

Dá para comer bem sem abrir mão do que você gosta, e sem culpa

Em um mundo com uma constante busca por resultados rápidos, dietas restritivas seguem populares, mas nem sempre sustentáveis. Para o chef de cozinha Enzo Neto, o caminho mais eficaz para uma alimentação saudável está no equilíbrio e na construção de hábitos possíveis de manter no dia a dia.

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Foto: Revista Malu

Segundo ele, dietas radicais tendem a gerar frustração justamente por serem difíceis de sustentar. "O equilíbrio traz leveza, flexibilidade e, principalmente, consistência. É isso que funciona no longo prazo", afirma.

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Ao contrário do que muitos pensam, não é preciso abrir mão de alimentos como arroz, massa ou pão para alcançar resultados. O segredo, segundo o chef, está na frequência e na qualidade das escolhas. "Não é sobre cortar, é sobre ajustar. Dá para manter esses alimentos na rotina, priorizando versões mais nutritivas e equilibrando melhor as combinações", explica.

80/20

É assim que o conceito de alimentação "80/20" surge como uma abordagem prática: priorizar alimentos naturais na maior parte do tempo, mantendo espaço para momentos de flexibilidade. "Se a sua rotina já é equilibrada, não há problema em sair para comer algo diferente no fim de semana. O que importa é o padrão, não a exceção", diz.

Outro ponto importante é ressignificar o prazer à mesa. "Existe a ideia de que comer bem é sinônimo de restrição, mas não precisa ser assim. Uma alimentação saudável de verdade é aquela que também traz satisfação", afirma. É aí que práticas como o mindful eating — ou alimentação consciente — ganham espaço ao propor uma relação mais intencional com a comida, desde o preparo até o consumo, estimulando maior atenção aos sabores, à saciedade e às escolhas.

Entrar no ciclo de "começa dieta, desiste e recomeça" é mais comum do que parece. Para o chef, a saída está em mudar a perspectiva: em vez de apostar em dietas pontuais, o ideal é construir uma rotina ou escolher estratégias alimentares que realmente façam sentido para você, sua rotina, sua família e seu estilo de vida. "Com organização, qualquer refeição pode ser rápida, prática e equilibrada", explica.

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Dietas restritivas são perigosas

Por fim, ele alerta para sinais de abordagens restritivas ou potencialmente prejudiciais. Dietas que eliminam grupos alimentares sem necessidade, impõem regras rígidas ou prometem resultados rápidos devem ser vistas com cautela.

"No fim, alimentação saudável não é sobre perfeição, e sim sobre constância. Quanto mais leve e possível for a rotina, maiores são as chances de ela durar", conclui.

Para o chef, a relação com a comida começa a ser construída nas primeiras experiências, por isso sabor, apresentação e variedade são essenciais. Quando a vivência é positiva, a criança tende a se abrir mais ao novo. Entre as estratégias, ele destaca a exposição gradual, sem pressão, respeitando o tempo da criança. Combinar alimentos novos com os já aceitos também ajuda a criar segurança. "E, claro, precisa estar gostoso", reforça.

Enzo também alerta para práticas comuns, como insistir para que a criança "coma mais um pouco" ou usar recompensas. "Quando há pressão ou troca, a criança passa a associar a comida a um momento negativo ou a um prêmio, e não ao prazer de se alimentar", explica.

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No dia a dia, planejamento faz toda a diferença. Deixar alguns alimentos adiantados ou semi-prontos ajuda a reduzir a sobrecarga e torna mais simples manter refeições equilibradas ao longo da semana. O contexto também importa: comer à mesa, longe de telas e distrações, contribui para que a criança se concentre na alimentação e desenvolva uma relação mais consciente com o que está consumindo.

No fim, o caminho está no equilíbrio: oferecer variedade, respeitar o ritmo da criança e cultivar um ambiente acolhedor. "A alimentação precisa ser uma experiência positiva. Cabe ao adulto guiar esse processo com tranquilidade e constância", conclui.

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