O laudo do IML apontou a morte súbita inesperada em epilepsia (SUDEP) como causa provável do falecimento do cineasta Ricardo Spencer, aos 49 anos. A condição, rara e ainda sob investigação científica, ocorre sem causa aparente e afeta principalmente pacientes com crises convulsivas não controladas, possivelmente ligada a paradas respiratórias ou cardíacas. Especialistas alertam que o acompanhamento médico, o tratamento correto e hábitos saudáveis são essenciais para reduzir os riscos.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) aponta a morte súbita inesperada em epilepsia, conhecida pela sigla SUDEP, como causa provável da morte do cineasta, diretor e roteirista Ricardo Spencer, de 49 anos, que foi encontrado sem vida em um apartamento no Edifício Copan, em São Paulo, em 20 de julho.
De acordo com o irmão de Spencer, o cineasta tinha histórico de epilepsia. A condição é rara, mas pode ocorrer de maneira inesperada e apresenta risco maior entre pessoas que continuam tendo crises convulsivas sem controle adequado.
Morte súbita em epilepsia: o que significa SUDEP?
O termo SUDEP classifica situações em que a morte de uma pessoa com epilepsia permanece sem outra explicação após a investigação. Para entrar nessa classificação, o óbito não pode decorrer, por exemplo, de acidente, afogamento ou de uma crise prolongada conhecida como estado de mal epiléptico.
Segundo a Associação Brasileira de Epilepsia, estima-se cerca de 1 caso de SUDEP por ano a cada mil pessoas com epilepsia. Quando as crises convulsivas permanecem sem controle, esse risco pode subir para aproximadamente 1 em cada 150 pessoas por ano. A ocorrência de uma convulsão imediatamente antes da morte nem sempre é evidente. Em determinados casos, porém, existem sinais de que uma crise aconteceu pouco antes.
O que os pesquisadores investigam?
Os mecanismos envolvidos na SUDEP ainda são estudados, e diferentes alterações provocadas por uma crise podem levar ao óbito. Durante ou depois de uma convulsão, funções essenciais do organismo podem sofrer mudanças. Entre as hipóteses investigadas estão alterações no controle cerebral da respiração e dos batimentos cardíacos.
Uma pausa respiratória prolongada, por exemplo, pode diminuir a oferta de oxigênio, enquanto alterações graves do ritmo do coração representam outra possibilidade. Por isso, os pesquisadores consideram que alguns episódios podem resultar da combinação de diferentes fatores, em vez de uma causa única.
Controle das crises pode diminuir o risco
Como as crises recorrentes estão associadas a um risco maior, o acompanhamento da epilepsia ocupa papel central na redução dessa vulnerabilidade. Seguir corretamente a medicação prescrita e informar ao médico quando os episódios continuam acontecendo permite avaliar se o tratamento precisa de ajustes.
Em quadros de difícil controle, o especialista pode considerar outras abordagens, como cirurgia, dispositivos de neuroestimulação ou terapias alimentares específicas. A rotina também merece atenção. Falta de sono, estresse, consumo excessivo de álcool e esquecimentos na tomada dos medicamentos estão entre situações que podem anteceder crises em algumas pessoas.
Além disso, familiares e pessoas próximas podem aprender como prestar os primeiros socorros diante de uma convulsão. Cuidados adicionais perto da água também ajudam a reduzir consequências graves associadas às crises. Embora a morte súbita inesperada em epilepsia seja rara, conhecer a condição reforça a importância do acompanhamento médico e do controle das crises ao longo do tratamento.