Bruna Ianhez transformou a corrida em profissão ao trocar o mercado corporativo pela criação de conteúdo esportivo em 2023. Maratonista experiente, ela destaca que o esporte vai além da quilometragem, exigindo preparo mental, descanso e nutrição. Sob o lema de ser "1% melhor que ontem", Bruna enfatiza a importância da consistência, do respeito aos próprios limites e de evitar comparações, defendendo que a evolução atlética deve ocorrer de forma paciente, prazerosa e sustentável.
Durante muito tempo, correr foi apenas uma parte da rotina de Bruna Ianhez. Aos poucos, porém, a atividade ganhou espaço e passou a representar desafios, autocuidado e uma nova forma de compartilhar sua vida.
Ao mostrar nas redes sociais a rotina entre trabalho, treinos e vida pessoal, Bruna começou a construir uma comunidade. O movimento cresceu e também trouxe oportunidades com marcas. Em 2023, ela decidiu deixar o mercado corporativo para se dedicar integralmente ao esporte e à criação de conteúdo.
"Foi quando entendi que a corrida já não era apenas uma atividade que eu praticava, mas uma ferramenta de transformação que fazia parte da minha vida", conta.
O que ninguém vê antes da linha de chegada
A rotina de uma corredora vai muito além dos quilômetros registrados no relógio. Para Bruna, treinar para provas exige organização e atenção a diferentes aspectos da preparação. "Existe todo um cuidado com descanso, uma boa alimentação, hidratação, recuperação e também com a parte mental", explica.
Além dos treinos, entram meses de planejamento, ajustes na rotina e até dias em que é preciso correr sem estar completamente motivada. "A ultramaratona começa muito antes da prova. No dia, você só coloca em prática tudo aquilo que construiu ao longo desse processo", explica a maratonista.
A experiência com provas longas também ensinou Bruna a ouvir melhor os sinais do próprio corpo. Para os próximos desafios, ela pretende manter essa relação mais paciente com a corrida. "A principal coisa que trouxe do Canadá foi entender ainda mais a importância de respeitar o meu próprio ritmo e confiar no processo", diz.
A ideia de evolução também aparece quando Bruna fala sobre quem está começando. Para ela, um dos principais erros é querer acelerar demais ou comparar o próprio ritmo com o de outras pessoas. "Cada corpo tem um tempo e um processo diferente. No começo, o mais importante é criar consistência, entender os sinais do corpo e encontrar uma forma de correr que seja prazerosa e sustentável", afirma.
Por isso, não é necessário começar pensando em distância, pace ou performance. Caminhar, alternar corrida e caminhada ou simplesmente conseguir sair de casa também são formas de começar. A mesma lógica vale para quem já corre há mais tempo. Bruna acredita que evolução não precisa acontecer de uma vez.
"O meu lema, '1% melhor que ontem', traduz muito isso. Não precisamos melhorar tudo de uma vez ou buscar grandes resultados imediatamente", para ela, correr melhor também significa conhecer o próprio corpo e respeitar seus limites.
Cada corredor encontra seu próprio ritmo
Depois de experiências em diferentes distâncias, Bruna reforça que não existe uma única maneira de construir uma relação saudável com a corrida. Nem mesmo uma prova de 134 km torna uma maratona automaticamente fácil.
Enquanto a ultramaratona exige administrar esforço, alimentação e energia por muitas horas, os 42,195 km pedem um ritmo mais intenso e sustentado. "Cada prova exige uma preparação específica e tem suas próprias dificuldades", afirma Bruna.
Fora dos treinos, algumas escolhas simples também fazem parte da rotina da atleta. Bruna prefere correr pela manhã e costuma treinar ouvindo música, especialmente quando precisa de uma motivação extra. Nas provas, porém, às vezes prefere deixar os fones de lado para se conectar com o ambiente, a respiração e o próprio ritmo.
No fim, a sensação de completar uma corrida parece resumir a relação que Bruna construiu com o esporte. "É aquela sensação depois de terminar a corrida, de dever cumprido. Mesmo quando o treino é difícil, fica um orgulho de ter ido até o fim", confidencia.
Mais do que buscar velocidade ou grandes distâncias, ela encontrou na corrida uma forma de continuar avançando. Um quilômetro por vez, respeitando o próprio processo e tentando sair de cada treino um pouco melhor do que entrou.