Embora a maquiagem híbrida agregue ativos de skincare como o colágeno, ela não estimula a produção da proteína na pele. A dermatologista Joana Petito explica que, por ser uma molécula grande, o colágeno age apenas na superfície, promovendo hidratação e melhora visual temporária sem alterações estruturais profundas. Para combater a perda de firmeza e repor a substância de forma eficaz no organismo, a médica destaca que são necessários tratamentos específicos, como bioestimuladores injetáveis.
Dermatologista explica o quais são os limites desses produtos
A maquiagem deixou de ter apenas a função de uniformizar a pele ou adicionar cor. Bases, balms, corretivos e outros produtos passaram a incorporar ingredientes tradicionalmente associados ao skincare, como ácido hialurônico, vitamina C, peptídeos e colágeno. A tendência, conhecida como maquiagem híbrida, aproxima os dois universos, mas também levanta uma dúvida: usar diariamente uma base com colágeno significa, de fato, tratar a perda dessa proteína na pele?
Os benefícios não são tantos
Segundo a dermatologista Joana Petito, da Harmonize Gold, é preciso separar o benefício cosmético da promessa de tratamento. "O colágeno é uma molécula grande. Quando aparece em um cosmético, sua atuação tende a acontecer principalmente na superfície, contribuindo para hidratação e melhora temporária da aparência e da textura. Isso é diferente de estimular biologicamente a produção de novo colágeno", explica. Com a pele mais hidratada, linhas finas podem parecer menos evidentes e a textura mais uniforme, mas esse efeito visual não significa que houve uma mudança estrutural nas camadas mais profundas.
O mesmo cuidado vale para outros ativos que migraram do skincare para a maquiagem. Ácido hialurônico, vitamina C e peptídeos podem oferecer benefícios, mas o resultado depende da formulação, concentração, estabilidade e da forma como cada ingrediente é utilizado. "A maquiagem híbrida pode reunir acabamento e cuidados interessantes para a pele, mas não basta encontrar o nome de um ativo na embalagem para concluir que aquele produto terá o mesmo efeito de um tratamento desenvolvido especificamente para determinada finalidade", afirma.
O que realmente vale a pena quando falamos de colágeno
Quando o objetivo é atuar diretamente no estímulo de colágeno, a abordagem é diferente. Joana explica que os bioestimuladores injetáveis são desenvolvidos para provocar uma resposta do próprio organismo e estimular gradualmente a produção da proteína nas regiões tratadas. "Uma coisa é aplicar sobre a pele um cosmético que contém colágeno. Outra é realizar um tratamento cujo objetivo é estimular o organismo a produzir novo colágeno. A maquiagem pode ser uma aliada na hidratação, no acabamento e nos cuidados diários, mas, quando falamos em perda de firmeza e alterações estruturais relacionadas ao envelhecimento, precisamos avaliar estratégias específicas para esse objetivo", conclui.