A Copa do Mundo é conhecida por proporcionar momentos que vão muito além das quatro linhas do gramado. Ana Cândida Évora, mãe do goleiro Vozinha, da seleção de Cabo Verde, está vivendo exatamente esse turbilhão de emoções. Isso porque está arrumando as malas para embarcar rumo aos Estados Unidos.
Nesse sentido, o plano inicial era assistir à estreia do filho contra a poderosa seleção da Espanha. Contudo, ela teve que desistir temporariamente do sonho devido ao custo astronômico do visto americano. A exigência incluía uma caução de US$ 15 mil (mais de R$ 75 mil na cotação atual), imposta como parte da rígida política de imigração do governo de Donald Trump.
A muralha dos Tubarões Azuis
A grande virada dessa história começou após o heróico empate por 0 a 0 entre Cabo Verde e Espanha. Em uma entrevista coletiva extremamente emocionante, o arqueiro Vozinha — apelido de Josimar Évora Dias — revelou publicamente a dificuldade de levar sua mãe ao torneio.
As palavras sinceras da muralha dos Tubarões Azuis tocaram o coração de milhares de pessoas ao redor do planeta. Por outro lado, o desabafo chegou até os corredores do poder em Washington, chamando a atenção de Hakeem Jeffries, líder do partido Democrata no Congresso dos EUA.
O parlamentar decidiu interceder imediatamente em favor da família: "Conversei com o secretário de Estado, Marco Rubio, e pedi que o Departamento de Estado fizesse tudo que fosse possível para garantir que a mãe dele possa comparecer ao próximo jogo de Cabo Verde, contra o Uruguai", declarou Hakeem Jeffries em nota oficial.
A burocracia cede lugar ao sonho
Da mesma forma, a pressão política surtiu efeito imediato. O Departamento de Estado americano confirmou publicamente a suspensão das taxas de visto e da pesada caução financeira. A medida restritiva havia sido criada para evitar que cidadãos de 50 nações (sendo cinco delas participantes da Copa) permanecessem em solo americano após o fim do torneio. "Nossa equipe de vistos em Praia está em contato com ela e providenciando os serviços necessários", garantiu o comunicado oficial do governo.
O abraço mais esperado da Copa
Em suma, a justiça poética venceu a burocracia. Radiante e aliviada com a decisão relâmpago, Ana Cândida Évora já corre contra o tempo para organizar sua viagem. "Estou muito feliz. Foi tudo tão rápido, mas estou bastante feliz de qualquer maneira. Vou ver o meu filho jogar na Copa do Mundo, se Deus quiser", comemorou a mãe à BBC.
Agora, o próximo destino já está traçado. Com o coração cheio de orgulho, ela promete levar a maior energia possível para as arquibancadas: "Vou estar lá para apoiá-lo e lhe dar força e coragem. Vou dar-lhe um abraço depois do jogo."