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HPV: tudo o que você sempre quis perguntar (e quase ninguém responde)

Do beijo à camisinha, da vacina ao câncer: entenda como o HPV realmente é transmitido e saiba como se proteger.

30 jun 2026 - 22h28

Você sabia que o HPV é a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum do mundo?

O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns do mundo e, na maioria dos casos, não provoca sintomas
O HPV é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns do mundo e, na maioria dos casos, não provoca sintomas
Foto: Canva / Bons Fluidos

Pois é. Estima-se que a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida. Apesar disso, poucas infecções são cercadas por tantos mitos, dúvidas e desinformação.

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Embora, na maioria das vezes, o próprio organismo consiga controlar ou eliminar a infecção espontaneamente, alguns tipos de HPV podem provocar verrugas e aumentar o risco de diferentes tipos de câncer. Por isso, entender como esse vírus se comporta é tão importante.

Muita gente acredita que o HPV sempre provoca verrugas, que basta usar camisinha para estar totalmente protegido ou que quem faz PrEP também está protegido contra o vírus. Outros imaginam que a transmissão só acontece quando existe uma verruga aparente. Nenhuma dessas afirmações é completamente verdadeira.

Por isso, nesta coluna, reuni as principais dúvidas sobre o HPV para explicar, de forma simples e baseada nas evidências científicas, o que realmente sabemos sobre esse vírus e como podemos nos proteger.

Afinal, o que é o HPV?

HPV é a sigla para Papilomavírus Humano, um grupo formado por mais de 200 tipos de vírus. Cerca de 40 deles infectam a região genital, anal e também a boca e a garganta.

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Alguns tipos são considerados de baixo risco e costumam provocar verrugas. Outros são classificados como de alto risco porque, quando a infecção persiste por muitos anos, podem favorecer o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como os de colo do útero, ânus, pênis, vulva, vagina e também de boca e garganta.

Quem tem HPV sempre sabe que está infectado?

Não. Na verdade, essa é uma das principais características do HPV.

Na maioria das pessoas, a infecção não provoca qualquer sintoma. O vírus pode permanecer silencioso durante meses ou até anos sem causar dor, verrugas ou qualquer alteração perceptível.

Quando surgem, as verrugas são uma das manifestações mais conhecidas da infecção, mas elas estão longe de aparecer em todos os casos.

Se eu não vejo nenhuma verruga, significa que não tenho HPV?

Também não. Esse é um dos maiores mitos sobre o HPV.

Embora algumas pessoas desenvolvam verrugas, muitas nunca apresentam qualquer lesão aparente e, ainda assim, podem transmitir o vírus.

Quando existem, as lesões nem sempre ficam em locais fáceis de serem percebidos. Na boca, por exemplo, podem surgir na parte interna das bochechas, na lateral ou embaixo da língua, no céu da boca, nas amígdalas ou até na garganta. Na região genital e anal, também podem aparecer em áreas pouco visíveis, como o colo do útero, o interior da vagina, o canal anal ou sob o prepúcio.

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Além disso, algumas lesões são tão pequenas que passam despercebidas tanto pela própria pessoa quanto pelo parceiro.

Por isso, a ausência de verrugas visíveis não significa que o vírus não esteja presente.

Como acontece a transmissão?

O HPV é transmitido principalmente pelo contato direto entre pele e mucosas durante a atividade sexual.

Isso inclui relações vaginais, anais e sexo oral. Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, nem sempre é necessária a penetração para ocorrer a transmissão. O contato íntimo entre pele e mucosas pode ser suficiente.

O beijo na boca transmite HPV?

Sim, a transmissão pelo beijo é considerada possível, mas essa não é a principal forma de contágio.

O vírus pode estar presente na mucosa da boca. Em algumas pessoas, ele provoca lesões que podem surgir na língua, na parte interna das bochechas, no céu da boca, nas amígdalas ou na garganta. Em outras, não existe qualquer sinal visível, mesmo com a presença do vírus.

Por isso, embora o beijo possa transmitir HPV, esse risco parece ser muito menor do que aquele relacionado ao contato sexual, especialmente durante o sexo oral.

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É preciso existir um corte ou uma ferida para acontecer a transmissão?

Não. O HPV infecta a pele e as mucosas por meio de pequenas microlesões, muitas vezes invisíveis a olho nu, que surgem naturalmente durante o contato íntimo.

A camisinha protege totalmente?

Não. O preservativo reduz significativamente o risco de transmissão e continua sendo uma das principais formas de prevenção das infecções sexualmente transmissíveis.

Entretanto, ele não elimina completamente o risco porque o HPV pode estar presente em regiões da pele que ficam descobertas, como a base do pênis, a bolsa escrotal, a vulva, a região pubiana e o períneo.

Além disso, o vírus também pode estar presente na boca e na garganta. Assim, durante o sexo oral, pode haver transmissão quando ocorre contato entre as mucosas infectadas, mesmo com o uso do preservativo, dependendo da região onde o vírus está localizado.

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Em outras palavras, usar camisinha continua sendo fundamental e reduz bastante o risco de transmissão, mas ela não oferece proteção de 100% contra o HPV.

Quem faz PrEP está protegido contra o HPV?

Não. A PrEP é extremamente eficaz para prevenir a infecção pelo HIV.

No entanto, ela não protege contra o HPV nem contra outras infecções sexualmente transmissíveis, como sífilis, gonorreia, clamídia e herpes genital.

Como posso saber se tenho HPV?

Sim, existem exames, mas isso depende da situação.

Não existe um exame de sangue capaz de diagnosticar o HPV.

Nas mulheres, além do Papanicolau, que identifica alterações nas células do colo do útero, existe o teste de HPV, capaz de detectar a presença do DNA de alguns tipos do vírus. Esse exame pode ser indicado em determinadas faixas etárias ou situações clínicas, mesmo quando não há sintomas ou verrugas.

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Nos homens, a situação é diferente. Atualmente, não existe um exame de rastreamento recomendado para homens sem sintomas ou sem lesões aparentes. Na maioria das vezes, o diagnóstico é feito quando surgem verrugas ou outras alterações suspeitas, podendo ser necessária uma biópsia em alguns casos.

Tive relação sexual com uma pessoa que depois me contou que tem HPV. Devo fazer algum exame imediatamente?

Na maioria das vezes, não. Diferentemente do HIV, não existe um exame indicado para ser realizado logo após uma relação sexual apenas para verificar se houve transmissão do HPV.

Nas mulheres, o teste de HPV e o Papanicolau são solicitados conforme a idade, os protocolos de rastreamento e a avaliação do ginecologista. Eles não são indicados apenas porque ocorreu uma relação sexual com uma pessoa infectada.

Nos homens, também não existe um exame de rotina recomendado para investigar uma possível infecção quando não há sintomas ou lesões.

Se surgirem verrugas, alterações na boca, na região genital ou anal, ou qualquer outra lesão suspeita, é importante procurar avaliação médica.

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Descobrir que tenho HPV significa que a infecção é recente?

Não. Esse é um dos maiores equívocos sobre o HPV.

O vírus pode permanecer silencioso no organismo durante muitos anos antes de provocar uma verruga ou uma alteração detectada em exames.

Por isso, descobrir uma infecção por HPV não significa que ela tenha sido adquirida recentemente e tampouco permite identificar de qual parceiro o vírus foi contraído.

Existe tratamento?

Existe tratamento para as verrugas e para as lesões provocadas pelo HPV, mas não existe um medicamento capaz de eliminar diretamente o vírus do organismo.

A boa notícia é que, na maioria das pessoas, o próprio sistema imunológico consegue controlar ou eliminar espontaneamente a infecção ao longo do tempo.

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A vacina vale a pena?

Sem dúvida. A vacina contra o HPV representa um dos maiores avanços na prevenção de alguns tipos de câncer.

Ela protege contra os principais tipos do vírus relacionados ao desenvolvimento de tumores e também contra aqueles responsáveis pela maior parte das verrugas genitais.

O ideal é que seja aplicada antes do início da vida sexual. No entanto, adolescentes e adultos também podem se beneficiar da vacinação em situações específicas, conforme avaliação médica.

Informação também é prevenção

O objetivo deste texto não é provocar medo nem fazer com que você deixe de viver sua vida afetiva ou sexual. O HPV é uma infecção extremamente comum e, justamente por isso, conhecer como o vírus é transmitido, entender suas possíveis consequências e saber como se proteger é muito mais importante do que viver com receio.

A velha e boa camisinha continua sendo uma importante forma de prevenção, a vacinação representa um dos maiores avanços na proteção contra o HPV e o acompanhamento médico continua sendo fundamental sempre que houver dúvidas ou alterações suspeitas.

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A informação não existe para limitar a nossa vida. Ela existe para que possamos fazer escolhas mais conscientes, cuidar da nossa saúde e também proteger as pessoas com quem nos relacionamos.

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