Terminei de ler A Biblioteca da Meia-Noite há uma semana, o best-seller de Matt Haig que vendeu mais de 7 milhões de exemplares e foi traduzido para mais de 40 idiomas. Mas, além de ser um bom livro, ele me fez refletir por causa do número de alusões a filósofos que contém.
Entre as muitas citações escondidas em suas páginas, uma em particular não me sai da cabeça desde que o li. É de Henry David Thoreau e diz: "Não é o que você olha que importa, mas o que você vê."
A expressão não se refere ao ato físico de olhar, mas ao que o ato de ver implica em um sentido mais amplo. Olhamos para Guernica, de Pablo Picasso, e vemos brancos, pretos e cinzas, além de figuras geométricas com formas estranhas.
Mas, ao examinarmos as pinceladas, elas assumem uma perspectiva diferente. Vemos a Guerra Civil Espanhola em um de seus momentos mais atrozes. Vemos o caos, a morte, o desespero. Olhar é um ato sensorial, mas ver implica interpretação — a nossa própria.
A percepção segundo Thoreau
Para Thoreau, a diferença entre olhar e ver depende de nós, pois a verdadeira experiência do mundo não reside nos objetos ou situações em si, mas em nossa interpretação pessoal deles. Assim como os estoicos, como Marco Aurélio, afirmavam que não são os eventos externos que determinam nosso bem-estar, mas sim a forma como os interpretamos, o que vemos também depende do nosso contexto, já que nossas emoções e crenças moldam nossa realidade subjetiva.
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Henry David Thoreau, filósofo: "Não é o que você olha que importa, mas o que você vê"