O propósito de vida da ginecologista e obstetra Taime Sgambati sempre foi ajudar e cuidar dos pacientes como se fossem pessoas que ela realmente ama. Isso porque, para a profissional, a medicina consiste em tratar com amor e cuidar de verdade. Foi exatamente isso que ela fez quando se deparou com uma mãe prestes a dar à luz, na época em que ainda era estudante.
Como a médica salvou o bebê
Em entrevista exclusiva à 'Bons Fluidos', Sgambati conta que cursava no quinto ano de medicina e trabalhava de madrugada no momento em que uma paciente boliviana precisou de atendimento. Como estava sem a equipe, mesmo com a dificuldade de comunicação e no início da carreira, ela realizou a triagem da mulher acompanhada de uma enfermeira. Inicialmente, a situação parecia cotidiana, até que a médica precisou agir rápido para salvar o bebê.
"Ela virou para mim, enquanto subia na maca para eu escutar o neném, e falou: 'bebê'. Eu olhei, estava sem luva, sem nada. Eu sempre brinco que foi Deus, sabe? Porque eu simplesmente coloquei a mão embaixo e segurei o bebê, que já estava nascendo. Nisso, ele nasceu empelicado, que é quando sai com a bolsa amniótica inteira em volta, porque nem sempre a bolsa rompe", explica.
"Diante daquela cena, segurando o bebê, olhei para a enfermeira, deitei a paciente, coloquei o neném em cima dela, me paramentei e gritei por ajuda. Eu digo que foi Deus porque coloquei a mão e pensei: 'vou segurar, se Deus quiser, vai dar certo'. Afinal, eu não ia deixá-lo cair no chão ou na escadinha. É algo que marcou muito a minha memória", complementa.
Alerta para as mães
Foi com experiências como essa que Taime Sgambati aprendeu uma lição importante: na obstetrícia, tudo pode acontecer a qualquer hora. Principalmente porque, conforme aponta, o bebê decide quando virá ao mundo e, por vezes, sem aviso prévio. Por isso, a sua dica para as mães é escolher com cuidado o profissional que estará cuidando delas e do seu novo amor nesse momento tão importante.
"Eu acho que a confiança na obstetra é algo que elas têm que ter. Têm que se sentir acolhidas, sentir um amor e um respeito, com profissionais que expliquem tudo para as pacientes. Que elas se sintam muito amadas, porque é um momento único; que não deixem passar essa fase, porque cada gravidez é singular. É um momento especial para ela curtir mesmo. Eu sei que tem todas as questões hormonais, mas é para tentar curtir aquilo, porque se ela acha que ama o marido, vai descobrir um amor que não chega nem perto: é o maior amor do mundo", conclui.