Dia D, novo filme de Steven Spielberg, retoma a temática dos extraterrestres; conheça registros brasileiros famosos
Em 11 de junho, a estreia de Dia D, novo filme de Steven Spielberg, joga luz sobre o mistério dos objetos voadores não identificados - os óvnis. Isso porque, o filme aborda a temática dos extraterrestres, já enfocada pelo diretor americano em Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), E.T. - O Extraterrestre (1981) e Guerra dos Mundos (2005).
A poucos dias da estreia de Dia D, outro acontecimento vem mexendo com a curiosidade do público: no último domingo (31), durante uma live, o influenciador paranaense Mayk Leão filmou um intrigante objeto voador numa área de mata a alguns quilômetros do sítio onde mora, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Antes de publicar as imagens do objeto com base luminosa, Leão contou aos seus seguidores que notou uma agitação nos animais da propriedade, além de danos em uma parte da cerca elétrica que delimita seu sítio.
Diante de especulações, debates e do interesse renovado pelo tema, a redação de Malu relacionou os oito casos mais espetaculares da suposta presença extraterrestre no Brasil, com destaque para o célebre Caso Varginha e para a Operação Prato, uma missão militar ultrassecreta dos anos 70. Confira:
1 - Caso Varginha: extraterrestre de olhos vermelhos
No Brasil, o caso mais famoso que envolve óvnis e extraterrestres ainda é o de Varginha. Em 20 de janeiro de 1996, três jovens, Liliane Silva, Valquíria Silva e Kátia Xavier, afirmaram ter avistado uma criatura num terreno desocupado dessa cidade mineira. As jovens estavam voltando para casa depois do trabalho quando observaram o estranho ser. Assustadas, saíram correndo.
Segundo elas, o suposto extraterrestre tinha pele marrom com aspecto oleoso, olhos vermelhos gigantes e cabeça com três protuberâncias. Ele estava agachado perto de um muro e parecia acuado. Outras testemunhas da cidade relataram avistamentos de naves em queda e uma estranha movimentação de policiais e militares naquele dia.
O Caso Varginha, que correu o mundo, envolveu ainda a história de um oficial do Exército, Marco Eli Chereze, que morreu de infecção generalizada semanas depois daquele insólito sábado de janeiro. A morte dele pode ter sido resultado do seu contato com extraterrestres, uma vez que militares teriam realizado quatro a seis capturas de criaturas em Varginha e no entorno da cidade.
O episódio, que completou 30 anos em janeiro de 2026, ganhou um documentário produzido pelos Estúdios Globo e pela EPTV no começo deste ano - e disponível no Globoplay. Nesse documentário, O Mistério de Varginha, o médico Ítalo Venturelli relatou ter sido chamado a um hospital da cidade para ver uma criatura capturada pelo Exército. Venturelli disse que o ser tinha pele clara, cabeça em formato de gota, boca pequena e olhos de cor lilás. O médico confessou que manteve segredo por 30 anos por receio de que sua reputação profissional pudesse ser arranhada.
O Superior Tribunal Militar investigou o caso e concluiu que houve "interpretação equivocada" das testemunhas. A Justiça Militar apontou ainda que o ser observado pelas três jovens de Varginha era, na verdade, um homem que vivia no bairro e apresentava transtornos mentais.
2 - Operação Prato: missão militar secreta
Foi em 1977 que uma série de aparições de óvnis invadiu a região de Colares, cidade localizada no litoral do Pará. Os objetos sobrevoavam embarcações, mergulhavam nos rios, adentravam a mata e lançavam um foco de luz sobre as pessoas que causava paralisia, dor de cabeça, fraqueza, tontura, náuseas, além de queimaduras e tremores. As pessoas atingidas pela luz observavam na pele pequenos orifícios, dos quais, supostamente, era retirado sangue. Os moradores passaram a se manter acordados durante a noite e a acender fogueiras para tentar inibir a aproximação das luzes. Tudo em vão.
A prefeitura de Colares decidiu, portanto, pedir ajuda à Aeronáutica. Os militares começaram a investigar o fenômeno e batizaram a missão de "Operação Prato". Conduzida pela 2º Seção de Operações de Inteligência da Aeronáutica, essa operação, que era ultrassecreta, envolveu dezenas de militares. Eles anotaram os relatos dos moradores, fotografaram as luzes e também teriam testemunhado aparições de espaçonaves. A Operação Prato durou quatro meses e, segundo informações, foi encerrada repentinamente, resultando num documento de mais de 200 páginas.
Em 1997, a revista UFO, especializada no assunto, entrevistou o então coronel reformado da Aeronáutica, Uryangê Hollanda, que comandou a Operação Prato. Ele confirmou a existência dos fenômenos, um feito inédito para a ufologia brasileira. Contou, inclusive, que, na Amazônia, chegou a visualizar uma espaçonave de tamanho similar a de um prédio de 30 andares. Outros militares também teriam presenciado luzes, sondas e até extraterrestres.
3 - Caso Villas Bôas: primeiro registro de abdução
Numa madrugada de 1957, o lavrador Antonio Villas Bôas, então com 23 anos, estava dirigindo um trator, nas terras da fazenda da família, em São Francisco de Sales (MG), quando foi levado à força para o interior de uma espaçonave. O objeto tinha formato de ovo, era sustentado por três hastes e, na parte superior, emitia luz vermelha.
Dentro desse objeto, extraterrestres de 1,5 metro cercaram o lavrador. Eles usavam capacete e macacão acinzentado colado ao corpo. As criaturas o despiram e passaram em seu corpo um líquido oleoso, usando uma espécie de esponja. Um pouco de sangue de Villas Bôas foi extraído do seu queixo. Além disso, ele foi induzido a respirar uma fumaça com cheiro marcante e desagradável.
Na sequência, uma mulher jovem, baixa, bonita, de cabelos ruivos e olhos azuis se aproximou de Villas Bôas numa sala reservada. Ela estava nua e o abraçou. Os dois mantiveram relações sexuais. Depois do contato, a mulher teria tocado a própria barriga - como se o sexo tivesse como finalidade a reprodução. Um pouco antes do amanhecer, os supostos extraterrestres deixaram o lavrador perto do seu trator.
Ele foi examinado pelo médico carioca Olavo Fontes, que estudava ufologia. Fontes identificou a mancha no queixo de Villas Bôas. Exames posteriores revelaram radiação moderada em seu organismo. Ufólogos estrangeiros estudaram o caso, que ganhou publicações fora do Brasil. O mineiro Antônio Villas Bôas morreu em 1991, vítima de aneurisma cerebral.
Ufólogos brasileiros consideram o Caso Antonio Villas Bôas o primeiro episódio de abdução do país. Abdução consiste no sequestro de seres humanos ou animais por extraterrestres.
4 - Noite Oficial dos UFOs: invasão de espaçonaves
Foi na noite de 19 de maio de 1986 que radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta), operados pela Força Aárea Brasileira, captaram 21 objetos não identificados voando nos céus do Estado de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Paraná.
O caso, batizado pelos ufólogos brasileiros de Noite Oficial dos UFOs no Brasil incluiu o depoimento de um militar, o então ministro da Aeronáutica da época, Octávio Moreira Lima. Ele confirmou a invasão dos estranhos objetos no espaço aéreo. O caso foi parar nos telejornais. O ministro chegou, inclusive, a prometer um relatório completo para dali a 30 dias sobre os acontecimentos daquela noite. Porém, não cumpriu a promessa.
A torre de controle de São José dos Campos detectou o primeiro óvni. Logo depois, radares de Brasília e São Paulo confirmaram a presença dos sinais. Um caça F-5 chegou a decolar do Rio de Janeiro para tentar interceptar os óvnis, de acordo com reportagem da revista UFO. Outro caça tentou o mesmo, partindo de Goiás. Naquela madrugada, as espaçonaves desconhecidas, que sobrevoaram São Paulo, Rio, Goiás e Paraná por mais de três horas, desapareceram em direção ao Oceano Atlântico.
5 - Caso Vasp Voo 169: manobras no céu
Numa madrugada de fevereiro de 1982, o voo 169 da extinta empresa Vasp (Viação Aérea de São Paulo) seguia o trajeto entre Fortaleza e a capital paulista, quando um suposto óvni passou a acompanhá-lo. De brilho intenso, o objeto surgiu à esquerda do avião, no céu de Pernambuco, perto da cidade de Petrolina, e fez inúmeras manobras. Quem relatou o fato foi o comandante Gerson Maciel de Britto. Ele tinha bastante experiência, uma vez que acumulava mais de 25 mil horas de voo.
Britto tomou uma atitude ousada ao constatar a presença da espaçonave: resolveu despertar os mais de 100 passageiros do voo e convidar o grupo para acompanhar o fenômeno. Todo mundo concordou, com exceção de um sacerdote católico que preferiu não se envolver.
O óvni seguiu o Boeing até Belo Horizonte, onde faria a primeira escala. Curiosamente, continuou acompanhando o avião até a segunda escala no Rio de Janeiro. Segundo reportagem da revista UFO, o objeto voador apareceu nos radares do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta).
6 - Caso Quixadá: sequela permanente
Esse caso teria ocorrido, em 1976, na cidade de Quixadá, interior do Ceará. O trabalhador rural Luis Fernandes Barroso estava conduzindo uma carroça, fazendo o trajeto entre sua propriedade rural e uma casa na cidade, quando um óvni lançou uma luz forte em sua direção e, em seguida, o sequestrou. Barroso, no entanto, não se lembra do que viveu no interior da nave, descrita por ele como "uma roda grande de trator". Ele não aceitou passar por hipnose ao longo de sua vida. Entre a experiência com os supostos extraterrestres e sua morte, em 1993, passaram-se 17 anos.
O primeiro efeito após a abdução teria sido uma vermelhidão na pele, que atingiu o lado esquerdo do seu corpo. O segundo, uma progressiva deficiência intelectual. Herdeiros de Luis Barroso contam que o comportamento do pai sofreu uma profunda alteração após a experiência com os extraterrestres. "Meu pai passou por muitos hospitais de Fortaleza e disseram que a mente dele estava como se fosse a de uma criança", citou à revista UFO o comerciante Francisco Barroso, que, como o pai, também afirma já ter testemunhado luzes misteriosas no céu.
Desse modo, por conta do seu novo estado mental, Luis Barroso se afastou do trabalho, que acabou sendo assumido pelos filhos. Quando morreu, pronunciava poucas palavras, não falava, nem se movimentava. Devido ao agravamento do seu estado de saúde, passava horas deitado em sua cama, acompanhado por enfermeiras.
O Caso Quixadá inspirou um filme, lançado em 2011, com Murilo Rosa no elenco. Área Q, dirigido por Gerson Sanginitto, conta a história de um homem abduzido por extraterrestres, que, ao retomar sua rotina, revela estranhos poderes e se transforma em um mito na pequena cidade onde vive.
7 - Caso Morenão: avistamento em estádio
Esse caso é importante para os ufólogos brasileiros por se tratar de um fenômeno de avistamento coletivo: numa noite de março de 1982, pelo menos 20 mil pessoas observaram a passagem de um suposto óvni sobre o Estádio Morenão, em Campo Grande (MS). No momento, acontecia uma partida de futebol entre o Operário, time local, e o Vasco.
Os jogadores também testemunharam um clarão sobre o gramado. Inicialmente, imaginaram que se tratava de um avião. No entanto, o objeto se movia rapidamente, tinha uma luminosidade mais intensa do que a de um avião comum, além do formato de charuto. Em outras regiões da cidade de Campo Grande, também houve relatos de um objeto misterioso no céu.
8 - Caso Bete e Débora: relato de implante
Outro caso emblemático é o das primas Bete Rodrigues e Débora. O episódio ocorreu em junho de 1986, em São Paulo, no bairro Vila Matilde, quando elas tinham 22 e 16 anos, respectivamente. Naquela ocasião, Bete voltava com a prima Débora para a casa desta última depois de um programa de lazer. Estavam dentro de um ônibus, pouco antes da meia-noite, quando visualizaram um objeto luminoso pela janela do coletivo.
A próxima recordação das duas é que dormiram na casa da prima. Algumas lembranças sobre o sequestro, no entanto, voltaram à mente das jovens no dia seguinte. Alarmadas, decidiram procurar ajuda. Sob hipnose, Bete Rodrigues recordou que o objeto luminoso apareceu novamente, então na rua onde a prima morava, e as duas, movidas por um impulso desconhecido, decidiram caminhar em direção à nave. Observaram, então, uma criatura baixa, calva, de braços finos e longos, que indicou a entrada do suposto óvni.
Dentro da espaçonave, Bete avistou outros extraterrestres similares ao primeiro. Ela contou que eles introduziram objetos metálicos no seu corpo, precisamente na cabeça e nos pés. Também hipnotizada, Débora fez um relato parecido com o da prima sobre a experiência na nave.
No final do ano 2000, 14 anos após a suposta abdução, Bete Rodrigues, a pedido dos ufólogos que investigaram seu caso, tirou um raio-X dos pés. Neles, apareceram "pequenos corpos estranhos metálicos em partes moles do hálux", segundo o atestado que acompanhou os exames. Hálux é o nome científico do dedão do pé.