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Dua Lipa abre biblioteca com mais de 100 livros censurados; autora brasileira é escolhida

Projeto reúne obras que já enfrentaram censura, e "Olhos D'água", de Conceição Evaristo, inaugura o acervo

28 jun 2026 - 18h09

A cantora Dua Lipa acaba de dar mais um passo em seu incentivo à literatura. Em parceria com a histórica Livraria Lello, no Porto, em Portugal, a artista inaugurou a Biblioteca Manifesto. O espaço reúne mais de 100 livros que, em diferentes momentos e países, foram alvo de censura ou tentativas de proibição.

Dua Lipa inaugura a Biblioteca Manifesto, com mais de 100 livros censurados; brasileira Conceição Evaristo abrirá o acervo
Dua Lipa inaugura a Biblioteca Manifesto, com mais de 100 livros censurados; brasileira Conceição Evaristo abrirá o acervo
Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

Entre os títulos selecionados para compor o acervo, um nome brasileiro ganhou destaque logo na estreia do projeto. O livro "Olhos D'água", da escritora Conceição Evaristo, será a primeira obra a ocupar as prateleiras da biblioteca.

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Conceição Evaristo celebra escolha

A própria autora compartilhou a novidade nas redes sociais. Durante uma visita à Livraria Lello, Conceição contou que recebeu a notícia com emoção e destacou a importância do reconhecimento. 

"Junto à recepção calorosa que recebi na Livraria Lello, na cidade do Porto, em Portugal, tive a grata surpresa de saber que o livro 'Olhos D'água', de minha autoria, foi escolhido como a primeira obra para ocupar as prateleiras da Manifesto Library", escreveu.

A presença da escritora brasileira na abertura do projeto reforça o alcance internacional de uma obra que se tornou referência na literatura contemporânea. Afinal, ela retrata questões sociais, raciais e humanas sob a perspectiva de mulheres negras.

O que é a Biblioteca Manifesto?

A Biblioteca Manifesto nasceu como uma extensão do Service95, clube do livro criado por Dua Lipa. A proposta é preservar e dar visibilidade a livros que já enfrentaram censura ou restrições por abordarem temas como racismo, sexualidade, direitos humanos, política e liberdade de expressão.

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Ao apresentar a iniciativa, a cantora explicou o propósito do espaço. "É um santuário para livros que desapareceram, para autores cuja coragem desmascara estruturas de poder e controle, e para leitores que se recusam a aceitar que lhes digam qual livro podem ler."

Além disso, o acervo inicial reúne cerca de 100 obras de diferentes partes do mundo. Entre elas estão títulos consagrados como "O Conto da Aia", de Margaret Atwood, "Felon", de Reginald Dwayne Betts, além de livros de autores como Salman Rushdie e Olga Tokarczuk.

Por que "Olhos D'água" ganhou tanto destaque?

Publicado em 2014, "Olhos D'água" reúne 15 contos protagonizados por mulheres negras que enfrentam desafios relacionados à pobreza, à violência, ao racismo e às desigualdades sociais. Com uma escrita sensível e potente, Conceição Evaristo apresenta personagens marcadas por diferentes formas de resistência e sobrevivência.

O livro também já esteve no centro de debates sobre liberdade de leitura no Brasil. Em 2021, a obra ganhou repercussão nacional após uma professora de um colégio particular de Salvador ser afastada por indicá-la aos alunos. O episódio reacendeu discussões sobre censura no ambiente escolar.

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Ao escolher justamente esse título para inaugurar a Biblioteca Manifesto, o projeto evidencia a relevância da produção literária brasileira e reforça a importância de preservar obras que estimulam o pensamento crítico e ampliam diferentes perspectivas sobre a sociedade.

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