Fogos de artifício, buzinas, tempestades e até uma simples viagem podem transformar um momento comum em uma experiência estressante para muitos cães. Diante dessas situações, é comum que tutores procurem um calmante para cachorro para aliviar rapidamente o sofrimento do animal.
Mas será que essa é sempre a melhor solução?
Segundo o médico-veterinário Frederico Lobão, na maioria das vezes o primeiro passo não é recorrer a um medicamento. Mudanças no ambiente e estratégias para fazer o cão se sentir mais seguro costumam trazer bons resultados.
Quando há necessidade de tratamento medicamentoso, a decisão deve ser individualizada e tomada com orientação veterinária.
Tremores, respiração acelerada, tentativas de fuga, vocalização excessiva e o hábito de se esconder estão entre os sinais que podem indicar medo ou ansiedade.
Desse modo, identificar a causa desse comportamento é tão importante quanto pensar em como tratá-lo.
Nem todo cachorro precisa de calmante
Quando um cão demonstra medo intenso durante fogos ou outros episódios de muito barulho, muitos tutores querem aliviar o problema imediatamente. No entanto, isso não significa que um medicamento seja sempre a melhor alternativa.
Frederico Lobão explica que existem diferentes recursos para o manejo desses casos.
Eles vão desde adaptações no ambiente e estratégias comportamentais até produtos veterinários e medicamentos de uso controlado, indicados apenas em situações específicas.
A escolha depende da causa do problema, da intensidade dos sinais e das características de cada animal.
Por isso, antes de pensar em qualquer calmante para cachorro, vale fazer uma pergunta: o animal realmente precisa de tratamento medicamentoso?
Se a resposta for positiva, a escolha do medicamento e da dose deve ser feita exclusivamente pelo médico-veterinário, levando em conta fatores como idade, estado de saúde, doenças pré-existentes e o perfil comportamental do paciente.
Existe um "melhor" calmante para cachorro?
Não existe um calmante considerado ideal para todos os cães.
A escolha depende da origem do problema, da intensidade dos sintomas e das características de cada animal.
Um cão que sofre com fogos de artifício, por exemplo, pode precisar de uma abordagem diferente daquela indicada para outro que apresenta ansiedade em situações distintas.
Por isso, a indicação deve ser sempre individualizada e feita por um médico-veterinário.
Calmante para cachorro /
SaúdeLabCalmante para cachorro durante viagens pode ser indicado?
Viagens de carro ou de avião também podem provocar estresse em alguns cães. Nesses casos, o uso de medicamentos pode ser uma opção, mas somente após avaliação veterinária.
Antes de indicar qualquer tratamento, o veterinário procura identificar o que realmente está causando o desconforto.
Para alguns animais, o problema é o barulho. Para outros, permanecer na caixa de transporte, o contato com muitas pessoas ou o ambiente desconhecido.
"Quando a gente entende qual é a fonte da ansiedade ou do estresse desse paciente, consegue definir o tratamento mais adequado, mesmo que seja apenas para uma viagem", explica Frederico Lobão.
Assim como acontece em outras situações, não existe um medicamento que sirva para todos os cães. Quando necessário, a escolha deve considerar o paciente, o contexto e a dosagem adequada.
Por que medicamentos humanos não devem ser usados
Outra dúvida comum é se medicamentos destinados às pessoas poderiam ajudar os cães em momentos de muito medo.
A orientação é: não.
Cães e humanos metabolizam muitos medicamentos de forma diferente. Além disso, a dose segura varia conforme diversos fatores.
O peso é apenas um deles. Também entram nessa avaliação a idade, a raça, a intensidade do quadro e a presença de doenças, especialmente alterações renais e hepáticas, que podem exigir ajustes importantes.
Por isso, copiar a dose utilizada por outro animal ou administrar medicamentos da farmácia humana por conta própria pode colocar a saúde do pet em risco.
Dramin não é solução para ansiedade causada por fogos
Entre os medicamentos mais citados pelos tutores está o Dramin. Apesar de algumas pessoas acreditarem que ele "acalma" o cachorro, essa impressão pode ser enganosa.
Frederico Lobão explica que o medicamento pode deixar o animal sonolento, mas isso não significa que ele esteja menos ansioso.
"Visualmente a gente talvez veja o cão um pouquinho mais sonolento, menos reativo, mas o grau de ansiedade dele pode ficar até mais alto, porque ele não só está passando por aquele evento estressante, como também está se sentindo menos capaz de se defender", afirma o profissional.
Em outras palavras, o cão pode parecer mais calmo por fora, mas continuar vivenciando a mesma situação de medo e estresse.
Por isso, o Dramin não deve ser encarado como tratamento para ansiedade provocada por fogos, buzinas ou outros barulhos intensos.
Antes do remédio, o ambiente faz diferença
Na avaliação do veterinário, algumas mudanças simples no ambiente e na forma de lidar com o cachorro costumam trazer mais benefícios do que simplesmente administrar um medicamento.
Segundo ele, o estresse surge quando o animal se sente ameaçado, enquanto a ansiedade está relacionada à expectativa de que aquela situação desagradável volte a acontecer.
Criar um ambiente em que o cão se sinta protegido pode reduzir significativamente o sofrimento e, em muitos casos, evitar a necessidade de medicamentos.
Entre as medidas que podem ajudar estão:
- levar o cachorro para um cômodo mais silencioso da casa;
- fechar portas e janelas para diminuir o barulho externo;
- permanecer por perto, caso isso faça o animal se sentir mais seguro;
- evitar que ele fique exposto diretamente aos ruídos mais intensos;
- oferecer uma cama, uma manta ou outro local onde possa descansar ou se esconder, sempre respeitando o comportamento do animal e evitando calor excessivo.
O calmante ajuda, mas não elimina a causa do problema
Um dos erros mais comuns é imaginar que o medicamento resolve sozinho o medo.
Na realidade, ele pode aliviar parte dos sinais, mas não elimina o fator que está causando o sofrimento.
Se o cachorro continua exposto aos fogos, às buzinas ou ao estímulo que desencadeia a reação, o problema permanece.
"O ansiolítico não funciona como uma pílula mágica. Ele ajuda a controlar, mas o manejo comportamental é o principal", destaca Frederico Lobão.
Nos casos mais graves, a medicação pode ser necessária, mas deve fazer parte de um plano de tratamento, e não ser a única estratégia.
Existe calmante caseiro para cachorro?
Receitas de supostos calmantes caseiros circulam com frequência na internet. No entanto, o fato de um produto ser natural não significa que ele seja seguro para os cães.
Chás, ervas, suplementos e outras substâncias podem provocar efeitos indesejados, interagir com medicamentos ou até atrasar a identificação da causa do comportamento do animal.
Se o cachorro apresenta medo intenso, crises frequentes de ansiedade ou mudanças importantes de comportamento, o mais seguro é procurar orientação veterinária antes de recorrer a qualquer solução caseira.
Mais do que buscar um calmante para cachorro, o ideal é entender o que está provocando essa reação. Muitas vezes, ajustes no ambiente e na rotina já ajudam o animal a se sentir mais seguro.
Quando houver necessidade de medicamentos, a escolha deve ser feita pelo médico veterinário, de forma individualizada.
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