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Dia de Santa Maria Bertilla: da vida no campo ao cuidado de feridos na guerra

Religiosa italiana encontrou na rotina hospitalar uma forma de viver a fé, cuidar dos enfermos e servir quem mais precisava mesmo em meio à guerra e à própria doença

19 out 2026 - 21h36
Resumo
Celebrada em 20 de outubro, Santa Maria Bertilla Boscardin foi uma religiosa italiana de origem camponesa que dedicou sua vida à enfermagem. Atuando em um hospital de Treviso, destacou-se pelo cuidado incansável a crianças e a soldados feridos na Primeira Guerra Mundial. Mesmo enfrentando um tumor, manteve sua vocação até falecer em 1922, aos 34 anos. Beatificada em 1952 e canonizada em 1961 pelo Papa João XXIII, ela é lembrada por sua fé, simplicidade e serviço abnegado aos doentes mais vulneráveis.

A santidade nem sempre aparece ligada a grandes feitos ou acontecimentos extraordinários. Em muitas histórias da tradição católica, ela surge justamente na maneira como alguém escolhe servir, cuidar e permanecer fiel em meio às dificuldades. Foi assim com Santa Maria Bertilla Boscardin, celebrada pela Igreja em 20 de outubro.

A jovem Santa Maria Bertilla encontrou na rotina hospitalar uma forma de viver a fé e servir quem mais precisava
A jovem Santa Maria Bertilla encontrou na rotina hospitalar uma forma de viver a fé e servir quem mais precisava
Foto: Reprodução / Bons Fluidos

Nascida em uma família de camponeses na Itália, ela levou essa vida simples para a vocação religiosa e, mais tarde, para os corredores de hospitais. Ali, encontrou na enfermagem uma forma concreta de colocar a fé em prática, mesmo quando precisou enfrentar a guerra e a própria doença.

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Santa Maria Bertilla e a trajetória na enfermagem

Batizada como Ana Francisca, ela nasceu em 6 de outubro de 1888, na região de Vicenza. Era a mais velha de três irmãos e cresceu dividindo o tempo entre os estudos, as tarefas ligadas ao campo e a vida religiosa.

Aos 17 anos, ingressou na congregação das Irmãs Mestras de Santa Doroteia, Filhas dos Sagrados Corações. Foi nesse período que adotou o nome de Maria Bertilla. No convento, começou por funções simples, como trabalhos na lavanderia e no forno. Com o tempo, porém, passou a se preparar para atuar no cuidado aos doentes e recebeu formação em enfermagem. Essa escolha acabaria definindo boa parte de sua trajetória.

Guerra transformou a rotina no hospital

Ainda jovem, a santa foi enviada para trabalhar em um hospital de Treviso. Entre os pacientes que recebeu estavam crianças e, posteriormente, pessoas feridas durante a Primeira Guerra Mundial.

A localização da cidade tornou o período ainda mais delicado. Treviso ficou exposta aos efeitos do conflito, o que aumentou a pressão sobre o atendimento hospitalar e exigiu dedicação constante das equipes.

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Foi nesse cenário, então, que a religiosa passou a conciliar sua vocação com uma rotina de cuidado cada vez mais exigente. Sua história ficou marcada justamente por essa presença junto aos enfermos em momentos de grande vulnerabilidade.

A doença também passou a fazer parte de sua história

Anos antes do fim da guerra, a própria saúde de Maria Bertilla começou a se fragilizar. Em 1910, ela recebeu o diagnóstico de um tumor e precisou passar por uma cirurgia. Após se recuperar, retornou ao hospital e retomou suas atividades. Mais tarde, contudo, a doença voltou a se manifestar e exigiu uma nova intervenção.

Maria Bertilla morreu em 20 de outubro de 1922, aos 34 anos, no hospital de Treviso. O mesmo ambiente em que cuidou de tantas pessoas também marcou seus últimos anos de vida. Em seu diário, deixou uma frase que sintetiza a forma como encarava sua vocação: "Quero ser serva de todos, quero trabalhar, sofrer e deixar toda satisfação aos outros."

Reconhecimento veio anos após sua morte

A trajetória de Maria Bertilla passou a despertar devoção após sua morte. Em 1952, o Papa Pio XII a beatificou e destacou sua origem simples ao chamá-la de "uma humilde camponesa". Nove anos depois, em 1961, o Papa João XXIII realizou sua canonização. Na ocasião, a Igreja ressaltou sua vida de oração, a simplicidade e a dedicação aos doentes.

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Desde então, Santa Maria Bertilla Boscardin é lembrada especialmente por uma espiritualidade vivida no cotidiano, ligada ao trabalho, ao cuidado e à atenção aos mais vulneráveis.

Oração a Santa Maria Bertilla

"Ó Palavra de Deus, tão amada, ensina-me a ser generoso, a servir-Te como mereces, a dar sem calcular o custo, a lutar sem me lamentar pelas minhas feridas, a trabalhar sem buscar descanso, a me doar sem esperar outra recompensa senão a de saber que estou fazendo a Tua santa vontade. Amém. Santa Maria Bertilla Boscardin, rogai por nós."

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