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Devo alinhar dieta e exercício ao ciclo menstrual? Veja o que diz a ciência

Enquanto influenciadoras defendem a adaptação da rotina ao calendário hormonal, especialistas investigam se a prática realmente tem base científica

17 jun 2026 - 18h40

O universo do bem-estar feminino ganhou um novo destaque no ambiente digital. A menstruação voltou a ser um assunto muito debatido nas redes sociais, impulsionada por uma tendência de saúde que ganhou o nome de "sincronização do ciclo menstrual". Essa prática propõe ajustar a alimentação e a intensidade dos exercícios físicos conforme cada momento do mês.

Enquanto influenciadoras defendem a adaptação da rotina ao ciclo menstrual, especialistas analisam se a prática realmente tem base científica
Enquanto influenciadoras defendem a adaptação da rotina ao ciclo menstrual, especialistas analisam se a prática realmente tem base científica
Foto: Canva Equipes/pixelshot / Bons Fluidos

Influenciadoras digitais defendem o método como um caminho natural para reduzir as cólicas, o cansaço e respeitar o ritmo do corpo. Elas sugerem, por exemplo, focar em ioga ou pratos leves nos primeiros dias do fluxo, em vez de musculação e frituras. Contudo, será que essa conduta tem respaldo científico? Foi exatamente essa questão que a especialista em Saúde Sexual e Reprodutiva da Universidade de Sydney, Emmalee Ford, buscou responder em um artigo publicado no 'The Conversation'.

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O que a ciência diz sobre os treinos no ciclo menstrual?

Para entender o processo, vale lembrar que o ciclo menstrual vai muito além do sangramento. Ele se divide em três etapas: a fase folicular (estímulo dos folículos), a ovulação (liberação do óvulo) e a fase lútea (preparação do útero via progesterona). Cada uma dessas fases traz flutuações hormonais que mexem com o humor, a fome e a disposição.

De acordo com Ford, os defensores da sincronização afirmam que o método atende a essas oscilações. Por outro lado, os estudos existentes que analisam a relação entre dieta, exercícios e as fases menstruais apresentam resultados extremamente variados, sem um consenso definitivo.

Na verdade, as orientações dos próprios entusiastas costumam se contradizer. Enquanto alguns recomendam carboidratos integrais na fase folicular, outros sugerem focar em proteínas magras. O mesmo ocorre com a atividade física: as indicações variam entre exercícios aeróbicos intensos ou modalidades leves, como a natação.

Várias revisões sistemáticas avaliaram se treinar em dias específicos melhora a performance ou a força muscular. Contudo, as pesquisas não encontraram evidências de que o rendimento mude ou que o risco de lesões diminua por conta do calendário hormonal. Da mesma forma, alterações na imunidade ao longo do mês não parecem afetar a prática esportiva.

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Nutrição, motivação e os contrastes da pesquisa

Entretanto, o fator psicológico e o bem-estar físico real mudam a percepção das mulheres. Pesquisas indicam que atletas costumam se sentir menos motivadas no final da fase lútea e relatam um desempenho pior no início e término do fluxo. Isso ocorre porque sintomas como dores nas costas e cólicas transformam o esforço em algo muito mais difícil. Em contrapartida, exercícios de força e técnicas de relaxamento mostram eficácia comprovada no alívio dessas dores.

No campo da nutrição, os dados são ainda mais escassos. Um estudo de 2024 indicou que a fome pode aumentar na fase lútea, já que o corpo gasta mais energia se preparando para uma gestação. Contudo, análises científicas não confirmaram que mudar o cardápio previna o inchaço ou a fadiga de forma padrão para todas as mulheres.

Ainda restam muitas lacunas teóricas sobre os reais benefícios de um cronograma rígido. Diante de tantas visões diversas na medicina, a recomendação de Emmalee Ford foca no acolhimento e no respeito à individualidade de cada mulher: "Para quem quer controlar os sintomas da menstruação, a melhor abordagem é ter paciência consigo mesma e prestar atenção aos sinais do corpo".

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