Chás emagrecedores: mitos, riscos e a verdade sobre seus efeitos

Bebidas com efeito diurético ou laxativo podem reduzir o peso temporariamente, mas não promovem perda de gordura

15 set 2026 - 19h51
Resumo
Chás emagrecedores não eliminam gordura por si sós; a perda momentânea de peso decorre de efeitos diuréticos ou laxativos, que apenas reduzem líquidos ou estimulam o intestino. Especialistas alertam que produtos "naturais" não são inofensivos, podendo causar desidratação e interagir com remédios, exigindo cautela de gestantes e doentes crônicos. O emagrecimento real e seguro depende de hábitos consistentes, como dieta equilibrada e exercícios, sendo perigoso substituir refeições por essas bebidas.

Os chás emagrecedores aparecem com frequência nas redes sociais e prometem acelerar o metabolismo ou eliminar gordura. Porém, a bebida sozinha não é capaz de promover emagrecimento significativo.

Entenda se os chás emagrecedores realmente funcionam
Entenda se os chás emagrecedores realmente funcionam
Foto: Magnific / Saúde em Dia

Alguns ingredientes podem apresentar efeitos no organismo e fazer parte de uma alimentação equilibrada. O problema está em atribuir ao chá um poder de emagrecimento que ele não possui.

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"É importante diferenciar perda de peso de perda de gordura. Quando uma pessoa consome substâncias com efeito diurético ou laxativo, pode perceber uma redução momentânea no peso, mas isso não significa que o organismo eliminou gordura", explica Maria Simões,endocrinologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Por que o peso pode diminuir temporariamente?

Chás com efeito diurético aumentam a eliminação de água pela urina. Já aqueles com efeito laxativo podem estimular o funcionamento intestinal. Esses efeitos podem fazer a balança indicar um peso menor. No entanto, essa redução não representa necessariamente perda de gordura corporal.

"Não existe um alimento ou bebida capaz de, sozinho, provocar uma perda de peso significativa", afirma a endocrinologista. Por isso, o emagrecimento depende de mudanças sustentáveis e deve considerar alimentação, atividade física e as particularidades de cada pessoa.

Produtos vendidos como "detox" ou "seca barriga" podem reunir diferentes ervas e substâncias. Apesar de serem associados à ideia de algo natural, isso não significa que sejam isentos de riscos. O consumo excessivo pode favorecer desidratação, alterações intestinais e outros desequilíbrios no organismo.

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Misturas com composição pouco conhecida também dificultam a avaliação dos possíveis efeitos. "Natural não é sinônimo de inofensivo. Muitas substâncias de origem vegetal possuem efeitos no organismo e podem interagir com medicamentos ou piorar determinadas condições de saúde", alerta Maria.

Pessoas que utilizam medicamentos continuamente ou têm doenças crônicas devem buscar orientação antes de consumir chás com frequência. O cuidado também é importante para quem apresenta alterações nos rins, fígado ou intestino.

Gestantes e lactantes não devem consumir preparações com ervas sem acompanhamento profissional. Outro hábito que merece atenção é substituir refeições por chás. A estratégia pode comprometer a alimentação e não oferece uma solução sustentável para a perda de peso.

É preciso abandonar os chás?

Não. Os chás podem fazer parte de uma rotina equilibrada, desde que sejam consumidos sem expectativas de emagrecimento rápido. O problema começa quando a bebida se torna a principal estratégia para perder peso ou substitui refeições.

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Também é importante desconfiar de produtos que prometem resultados rápidos e garantidos. "O emagrecimento é resultado de um conjunto de fatores e deve considerar alimentação, atividade física, sono, rotina e as particularidades de cada organismo", conclui a médica.

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