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Dan Stulbach fala sobre parceria em cena com Mariana Ximenes e Chay Suede: 'Chamo nossas cenas de jazz'

Dan Stulbach falou sobre a parceria com Mariana Ximenes e Chay Suede e explicou por que quis construir um vilão mais humano

7 jul 2026 - 15h10

Conhecido por interpretar personagens marcantes na televisão, Dan Stulbach abriu um pouco dos bastidores de Quem Ama Cuida, novela das nove da TV Globo, e contou como tem sido construir o advogado Ademir ao lado de Mariana Ximenes e Chay Suede. Em entrevista à coluna Play, do jornal O Globo, o ator revelou que as cenas entre o trio costumam ganhar novos rumos durante as gravações, graças à liberdade criativa e à sintonia entre os colegas de elenco.

Dan Stulbach comenta os bastidores de Quem Ama Cuida e sua relação em cena com Mariana Ximenes e Chay Suede
Dan Stulbach comenta os bastidores de Quem Ama Cuida e sua relação em cena com Mariana Ximenes e Chay Suede
Foto: Reprodução/YouTube/Globo / Bons Fluidos

Segundo Dan, a troca entre os atores acontece de forma espontânea, permitindo que o texto evolua conforme as reações de cada um em cena. "Chamo nossas cenas de jazz. Chay me interrompe, e eu o interrompo. Vamos construindo juntos, mudando um pouquinho aqui e ali. No começo, as cenas com a Mariana eram mais de um casal feliz, mas essa felicidade muda ao longo da novela. Agora, temos sequências mais fortes. O bom é que eu saio revitalizado de um dia em que joguei com outra pessoa. Outro dia, em uma briga no portão, a Mari me jogou um copo de água na roupa inteira, sem me avisar, porque rolou na hora. Quando estou dentro desse jogo, é o máximo."

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Para o ator, essa abertura para improvisos contribui para tornar as relações entre os personagens mais naturais e intensas, enriquecendo o resultado visto pelo público.

Um vilão que não se enxerga como vilão

Na novela, Dan interpreta Ademir, um advogado que toma decisões moralmente questionáveis. Mas, segundo o próprio ator, está longe de ser um personagem unidimensional. Desde o início do trabalho, a proposta foi construir alguém repleto de contradições, capaz de despertar diferentes interpretações.

"Não queria que ele fosse um vilão caricato nas suas intenções. Ademir se torna um vilão a partir das suas ações, mas não é um cara só mau. Ele tem gente que ama, como o filho e a esposa. Ele se emociona, chora, erra e também sabe ser terrível e implacável quando precisa. A minha intenção é construir uma pessoa com erros, defeitos, ambígua e contraditória. Repito o tempo inteiro para a direção: O Ademir não se considera culpado."

Ao destacar as ambiguidades do personagem, Dan chama atenção para um aspecto comum da vida real: muitas pessoas justificam as próprias atitudes e dificilmente enxergam a si mesmas como responsáveis pelos próprios erros.

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A escolha por uma vida longe dos holofotes

Apesar de ser um dos nomes mais conhecidos da televisão brasileira, Dan contou que nunca buscou a fama como objetivo. Pelo contrário, ele afirma que preservar a vida pessoal sempre foi uma prioridade para manter o equilíbrio entre a carreira e a vida fora das telas.

"Um dos medos que tive e que tenho é o de perder o meu mundo pequeno, privado, das pessoas que gosto, da minha família e dos meus amigos de sempre. Sempre preservei essa parte da minha vida muito bem, como um refúgio mesmo: um lugar que me lembre sempre quem eu sou. A questão de me tornar uma celebridade nunca me cativou."

Para o ator, esse espaço reservado funciona como um porto seguro, permitindo que ele mantenha sua identidade distante da exposição constante que acompanha a profissão.

O impacto duradouro de Mulheres Apaixonadas

Durante a entrevista, Dan também relembrou um dos personagens mais emblemáticos de sua carreira: Marcos, de Mulheres Apaixonadas. Na trama, ele interpretava o marido agressor de Raquel, vivida por Helena Ranaldi, em uma história que ajudou a ampliar o debate sobre a violência contra a mulher na televisão brasileira.

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Mais de duas décadas após a exibição da novela, o ator lamenta que o tema continue tão atual. "Há algo que me dá uma certa tristeza e inconformidade. Participo de eventos sobre a situação da mulher no Brasil, e as pessoas me perguntam se a sociedade melhorou de lá para cá. Tinha o sonho de que o Brasil ia melhorar a partir daquele momento, porque o assunto foi colocado em voga na novela das 20h e gerou até mesmo uma lei. Não sei responder com propriedade se ela melhorou ou piorou. Hoje, vejo que os números são iguais ou piores. Há uma situação que o Brasil não cura, e isso me entristece."

A lembrança do personagem, segundo Dan, vai muito além da atuação. Ela permanece associada à necessidade de manter vivo o debate sobre a violência de gênero, reforçando que, apesar dos avanços conquistados nas últimas décadas, o enfrentamento desse problema ainda representa um dos grandes desafios da sociedade brasileira.

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