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Cérebro pode se conectar com a música e vibrar na mesma sincronia, diz estudo; entenda

Nova teoria da neurociência mostra que o cérebro não apenas escuta música, mas entra em ressonância com ritmo, melodia e harmonia

14 jan 2026 - 22h10

Ouvir música pode arrepiar, emocionar, acalmar ou dar vontade imediata de dançar. Agora, a ciência começa a explicar por quê. Segundo uma nova teoria apresentada por pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, o cérebro não apenas percebe a música: ele entra em ressonância física com ela.

Estudo propõe que cérebro e corpo entram em ressonância com a música, explicando por que ritmos, melodias e harmonias despertam emoções 
Estudo propõe que cérebro e corpo entram em ressonância com a música, explicando por que ritmos, melodias e harmonias despertam emoções
Foto: Reprodução: Marcelo Chagas/Pexels / Bons Fluidos

A proposta, publicada na revista Nature Reviews Neuroscience, revisita décadas de estudos sobre neurociência musical e apresenta a chamada Teoria da Ressonância Neural (TRN). A ideia central é que os ritmos, melodias e harmonias que consideramos agradáveis estão alinhados com oscilações naturais do cérebro e do corpo.

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"Música é poderosa não apenas porque a ouvimos, mas porque nossos cérebros e corpos se transformam nela. Isso tem grandes implicações para a terapia, a educação e a tecnologia", afirma a neurocientista Caroline Palmer, uma das autoras do estudo.

Quando o cérebro entra no compasso

De acordo com os pesquisadores, o cérebro funciona em ritmos próprios - verdadeiras ondas elétricas que se ajustam aos sons que ouvimos. Em músicas com batidas mais lentas e regulares, como aquelas que convidam a bater palmas ou dançar, os neurônios do córtex cerebral passam a oscilar no mesmo ritmo da música.

Já sons mais rápidos, percebidos como tom ou altura musical, são acompanhados por estruturas mais profundas, como o nervo auditivo e a cóclea. Essa capacidade de sincronização ajuda a explicar por que pessoas sem qualquer formação musical - e até bebês - conseguem se envolver com a música de forma intuitiva.

O segredo do groove

A teoria também lança luz sobre o famoso groove: aquela vontade quase irresistível de mexer o corpo quando a música começa. Segundo a TRN, isso acontece quando a batida não é totalmente previsível, mas também não chega a ser caótica. Essa pequena dose de surpresa ativa o cérebro, que tenta "preencher" os espaços do ritmo. Esse processo, chamado pelos cientistas de ressonância não linear, aumenta o engajamento corporal e emocional com a música, e explica por que algumas canções parecem convidar o corpo a se mover.

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Música, cultura e aprendizado

A TRN não ignora o papel da cultura. Ritmos simples, como os usados para acalmar bebês, tendem a surgir cedo e são quase universais. Já estruturas mais complexas, como métrica e variações rítmicas, são aprendidas ao longo da vida e mudam de acordo com o contexto cultural. Ainda assim, os pesquisadores acreditam que certos padrões musicais se mantêm porque coincidem com estados estáveis do cérebro e do corpo humano, criando uma base comum para a experiência musical em diferentes culturas.

Por que isso importa?

Compreender como música e cérebro se conectam pode abrir caminhos importantes. Entre as possíveis aplicações apontadas pelos autores estão terapias para condições como depressão, Parkinson e reabilitação após AVC, além do desenvolvimento de tecnologias educacionais e até de inteligências artificiais mais sensíveis às emoções humanas. "A TRN pode oferecer novos insights sobre o comportamento humano e sobre como cérebro e experiência se conectam", destacam os pesquisadores. 

No fim das contas, a teoria reforça algo que sentimos na pele há muito tempo: a música não fica do lado de fora. Ela entra, vibra, reorganiza e movimenta. E talvez seja justamente essa dança invisível entre som, cérebro e corpo que faz da música uma linguagem universal.

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