Como saber se estou em um relacionamento abusivo? Veja sinais e orientações

Para a Bons Fluidos, a psicóloga Marynara Melo explica os principais riscos de uma relação tóxica, os sinais de alerta e o caminho para sair dessa situação

4 mar 2026 - 19h39

Nos últimos anos, tem se discutido mais abertamente sobre as relações amorosas e seus efeitos na saúde mental. Um dos tópicos que, apesar de sensível, merece atenção é o relacionamento abusivo. Em entrevista à Bons Fluidos, a psicóloga Marynara Melo detalha os principais riscos desse tipo de vínculo, explicando ainda como identificá-lo e, mais importante, o caminho para sair dele.

A psicóloga Marynara Melo explica os principais riscos de um relacionamento abusivo, os sinais de alerta e o caminho para sair dele
A psicóloga Marynara Melo explica os principais riscos de um relacionamento abusivo, os sinais de alerta e o caminho para sair dele
Foto: Canva Equipes/Africa Images / Bons Fluidos

Impactos do relacionamento abusivo

De acordo com a especialista, uma relação tóxica tende a afetar diferentes pilares da vida. Isso ocorre porque, muitas vezes, o abuso se manifesta tanto pela violência patrimonial e financeira — como controlar o dinheiro e impedir a vítima de trabalhar — quanto por meio de agressões sexuais, físicas e emocionais.

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Marynara Melo cita, por exemplo, o ato de forçar relações sexuais e a restrição da liberdade como pontos críticos. No entanto, conforme ressalta, "todas essas formas de violência são igualmente graves e fazem parte de um ciclo de poder e controle". E o cenário de risco resulta em uma série de prejuízos psicológicos graves.

"Os impactos de um relacionamento abusivo podem ser profundos e duradouros. Psicologicamente, a mulher pode desenvolver ansiedade, depressão, baixa autoestima, transtornos do sono e estresse pós-traumático. Fisicamente, o abuso pode evoluir para agressões mais graves, adoecimento psicossomático e risco à vida", esclarece.

Sinais de uma relação tóxica

A especialista ainda ressalta que um vínculo prejudicial costuma se mostrar nas atitudes do dia a dia. Os primeiros sinais são "sutis e, justamente por isso, acabam confundidos com cuidado ou amor excessivo". Segundo Melo, um desses indícios é o controle disfarçado de preocupação, em que o parceiro precisa saber o tempo todo onde a outra pessoa está. Além disso, o acesso constante ao celular e às redes sociais não deve ser considerado normal.

Outro ponto de atenção é a crítica a roupas e amizades, bem como a falta de apoio em escolhas pessoais. As crises de ciúmes constantes, por sua vez, podem evoluir para casos de agressão. A vítima deve perceber ainda se tem vivenciado com frequência sentimentos como culpa ou receio, evitando se expressar para agradar ao parceiro e evitar conflitos.

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"Alguns sinais menos evidentes incluem manipulação emocional, chantagem, gaslighting (quando o parceiro faz a mulher duvidar da própria percepção), desqualificação constante e silêncio punitivo (...) Quanto mais cedo esses padrões são reconhecidos, maiores são as chances de interromper o ciclo antes que a violência se intensifique", alerta.

Como sair de um relacionamento abusivo?

A recomendação de Marynara Melo, portanto, é reconhecer e "levar a sério os próprios sentimentos". "Se algo machuca, constrange ou causa medo, não pode ser normalizado", afirma. Ademais, a vítima deve buscar uma rede de apoio, que a ajudará a se fortalecer emocionalmente, resgatar a autoestima e compreender que o abuso não é sua culpa.

Para isso, o auxílio de terapeutas também pode ser uma opção, possibilitando entender a situação, trabalhar a dependência emocional e construir um plano de saída. Em alguns casos, é importante ainda se informar sobre medidas legais de proteção. "Evitar o isolamento é essencial, assim como planejar a própria segurança, especialmente se houver sinais de escalada da violência", conclui.

*Texto feito em parceria com o AmorSaúde 

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