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Celulite, flacidez ou falta de volume? Entenda o que muda nos tratamentos para o bumbum

Bioestimuladores, preenchimentos e cirurgias atendem a queixas distintas; avaliação correta também reduz o risco de resultados frustrantes

7 set 2026 - 04h58
Bumbum também merece cuidados
Bumbum também merece cuidados
Foto: Charlotte Butcher/Unsplash

Celulite, flacidez, perda de volume e alterações no contorno podem mudar a aparência do bumbum, mas não devem receber o mesmo tratamento. A escolha do procedimento depende da origem da queixa, das características do corpo e do resultado esperado. Sem um diagnóstico preciso, a paciente corre o risco de investir em uma técnica incapaz de corrigir o problema que a incomoda.

Segundo o cirurgião plástico Fernando Amato, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), as principais queixas nos consultórios envolvem irregularidades na pele, pouco volume e depressões nas laterais dos glúteos. Essa última característica, conhecida como depressão trocantérica ou hip dips, reduz a projeção lateral e interfere no contorno da região.

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“É preciso entender se estamos diante de celulite ou de flacidez. Muitas pacientes procuram tratamento para celulite, mas já apresentam uma flacidez importante. Nesses casos, elas podem não perceber melhora porque o problema principal não está sendo tratado”, afirma.

A celulite envolve retrações localizadas da pele, associadas às traves fibrosas que puxam o tecido e formam os “furinhos”. A avaliação médica pode indicar técnicas como subcisão, preenchimento e bioestimuladores. A subcisão rompe as traves mais rígidas e aderidas, mas não resolve todas as alterações da pele.

A flacidez exige outra abordagem. Casos leves podem responder a bioestimuladores de colágeno, radiofrequência microagulhada e laser de CO₂. Quando existe uma sobra acentuada de pele, porém, os procedimentos feitos em consultório apresentam limites. A retirada cirúrgica do excesso pode ser necessária.

Bioestimulador não substitui preenchimento

Os bioestimuladores, como o ácido poli-L-láctico e a hidroxiapatita de cálcio, ganharam espaço nos tratamentos corporais. Eles estimulam a produção de colágeno e atuam na firmeza, na textura e em pequenas irregularidades da pele. 

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“Bioestimulador não tem como principal objetivo dar volume. Ele melhora a qualidade da pele, mas entrega um aumento muito pequeno quando comparado ao preenchimento ou ao enxerto de gordura”, explica Amato.

O ácido hialurônico, por sua vez, funciona como preenchedor. Ele pode suavizar assimetrias, corrigir depressões e aumentar o volume de áreas específicas. Como o organismo absorve o produto ao longo do tempo, o resultado não é definitivo. Segundo o médico, os efeitos costumam permanecer entre 16 e 24 meses, embora a duração varie c/onforme o produto, o metabolismo e a região tratada.

O tamanho dos glúteos impõe uma limitação. Uma ou duas seringas, comuns nos tratamentos faciais, dificilmente produzem uma mudança visível nessa área. Amato afirma que algumas pacientes precisam de 60 a 100 mililitros para obter um resultado perceptível. Isso exige várias aplicações e eleva o custo e a exposição a intercorrências.

Não existe um volume a partir do qual o procedimento se torna perigoso para todas as pessoas. Ainda assim, o uso de muitas seringas amplia o número de perfurações e exige controle rigoroso de assepsia. Entre as possíveis complicações estão infecção, inflamação, inchaço prolongado, nódulos, irregularidades e obstrução de vasos. O ácido hialurônico também retém água, o que pode causar uma correção acima do esperado.

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Quando a própria gordura vira uma opção

A lipoenxertia utiliza gordura retirada da própria paciente para aumentar ou remodelar os glúteos. O procedimento tende a fazer mais sentido quando a pessoa já tem indicação para lipoaspiração, apresenta gordura localizada e deseja um ganho maior de volume.

Nesse caso, o material vem do próprio organismo, o que reduz problemas ligados à introdução de uma substância sintética. Parte da gordura, no entanto, pode ser absorvida nos meses seguintes. O resultado também depende da quantidade enxertada e da forma como o corpo se recupera.

O plano de aplicação representa um dos principais fatores de segurança. A gordura deve ficar no tecido subcutâneo, acima do músculo. A injeção intramuscular aumenta o risco de embolia gordurosa, quadro no qual a gordura alcança a circulação e pode chegar aos pulmões.

“O enxerto dentro do músculo é o que torna o procedimento mais perigoso. Hoje, a recomendação é trabalhar em um plano superficial”, diz o cirurgião. O ultrassom durante a cirurgia ajuda o médico a acompanhar a posição da cânula e a identificar onde a gordura está sendo depositada.

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A técnica também pode assumir funções diferentes. O macrofat, composto por partículas maiores de gordura, serve para preenchimento e ganho de volume. O microfat utiliza partículas menores, mantém células de gordura viáveis e oferece suporte estrutural. Já o nanofat tem como foco a qualidade da pele, sem promover aumento expressivo.

PMMA não é indicado para aumento estético

O PMMA, sigla de polimetilmetacrilato, exige atenção por ser um preenchedor permanente e não absorvível. Ao contrário do ácido hialurônico, ele não desaparece com o tempo e sua retirada pode exigir cirurgias extensas.

Segundo Amato, o produto pode provocar inflamação crônica, infecção, formação de nódulos e reação de corpo estranho. Há ainda relatos de migração, calcificação, aumento do cálcio no sangue e complicações renais. O corpo também muda com o envelhecimento e com oscilações de peso, enquanto o material permanece no local, o que pode gerar deformidades após alguns anos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que o PMMA não é indicado para procedimentos com fins estéticos. O uso corporal aprovado tem finalidade reparadora e se restringe a situações previstas nas instruções de cada produto. Em março de 2026, a agência voltou a alertar que o uso de preenchedores fora das regiões e dos volumes autorizados aumenta o risco de complicações graves. A orientação inclui verificar o registro do produto, a qualificação do profissional e a autorização do serviço antes de qualquer aplicação. 

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Exercícios de força ajudam a desenvolver a musculatura dos glúteos, mas não substituem tratamentos para celulite, flacidez ou excesso de pele. Alimentação equilibrada, estabilidade do peso, hidratação e proteção solar contribuem para preservar a pele e os resultados. Ainda assim, nenhum cuidado diário corrige sozinho todas as alterações.

A decisão começa pela definição do problema e não pelo procedimento que está em alta. “O importante é entender o que a paciente deseja e qual alteração anatômica precisa ser corrigida”, resume Amato.

Fonte: Portal Terra
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