Os jovens cresceram sabendo que poderiam ser localizados a qualquer momento. Seus pais passaram a usar aplicativos de geolocalização para monitorá-los desde que essa tecnologia surgiu — não necessariamente para invadir a privacidade, mas como forma de controle. É o que se conhece como "pais helicóptero", e agora a Geração Z e os millennials estão reproduzindo esse mesmo padrão com seus próprios pais. Quem vigiava passou a ser vigiado.
O termo "pais helicóptero" foi criado em 1960 pelo psiquiatra infantil Foster W. Cline e pelo pedagogo Jim Fay. Ele se refere a pais que "sobrevoam" a vida dos filhos, ultrapassando limites com a superproteção. Esse modelo de criação ganhou força entre os millennials, no início do século, e continuou com a Geração Z.
Crianças superprotegidas, adultos inseguros
Especialistas como a socióloga Laura Hamilton afirmam que a proteção dos pais deve fortalecer a autoconfiança das crianças — desde que não ultrapasse o necessário. "As crianças não conseguem desenvolver a independência se os pais tentam resolver todos os seus problemas e desafios", explica.
O controle excessivo impede que os filhos aprendam a lidar com situações básicas. Em conflitos entre irmãos, por exemplo, os pais intervêm imediatamente, o que dificulta o aprendizado de resolução de problemas. Na escola, diante de uma nota baixa, muitas vezes são os pais que questionam a situação, e não o próprio aluno.
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