Saiba por que fogueiras sem vigilância são a principal causa de incêndios florestais

Em muitas regiões do país, especialmente durante períodos de estiagem prolongada, fogueiras sem vigilância se consolidam como uma das principais causas de incêndios florestais. Saiba mais!

8 mar 2026 - 16h03

Em muitas regiões do país, especialmente durante períodos de estiagem prolongada, fogueiras sem vigilância se consolidam como uma das principais causas de incêndios florestais. Em áreas de camping, trilhas e propriedades rurais, o hábito de acender fogo para cozinhar, se aquecer ou iluminar o ambiente ainda é comum. Porém, quando esse fogo não é totalmente apagado ou fica sem supervisão, o risco de se transformar em um incêndio de grandes proporções aumenta de forma significativa.

Dados de órgãos ambientais e de defesa civil indicam que a maior parte dos incêndios florestais tem origem em atividades humanas. Ademais, as fogueiras sem controle estão entre as ocorrências mais frequentes. Em cenários de baixa umidade do ar, ventos constantes e vegetação seca, qualquer brasa, por menor que pareça, encontra combustível para se espalhar rapidamente. Ademais, esse tipo de foco inicial muitas vezes passa despercebido nos primeiros minutos, o que dificulta o combate e amplia a área queimada.

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Em 2025, relatórios de diferentes estados brasileiros apontaram que uma parcela relevante dos incêndios em unidades de conservação teve início em áreas de acampamento, onde houve o abandono de fogueiras com brasas ainda ativas – depositphotos.com / toa55
Em 2025, relatórios de diferentes estados brasileiros apontaram que uma parcela relevante dos incêndios em unidades de conservação teve início em áreas de acampamento, onde houve o abandono de fogueiras com brasas ainda ativas – depositphotos.com / toa55
Foto: Giro 10

Como fogueiras sem vigilância se tornam incêndios florestais?

A principal palavra-chave nesse contexto é fogueiras sem vigilância. Afinal, o problema geralmente não está no ato de acender o fogo, mas no modo como ele é mantido e apagado. Assim, carvões em brasa, restos de lenha e cinzas quentes podem permanecer ativos por horas, mesmo quando aparentam estar apagados. Com uma rajada de vento, fagulhas são carregadas para folhas secas, galhos acumulados no solo ou capim alto, iniciando vários pequenos focos ao redor da área original.

Em 2025, relatórios de diferentes estados brasileiros apontaram que uma parcela relevante dos incêndios em unidades de conservação teve início em áreas de acampamento, onde houve o abandono de fogueiras com brasas ainda ativas. Em alguns casos, bastou a queda de um tronco parcialmente queimado para que as chamas se espalhassem para a vegetação próxima. Ademais, esse tipo de ocorrência é mais comum em regiões de mata atlântica e cerrado, biomas que concentram grande quantidade de material seco no chão, funcionando como um tapete inflamável.

Fogueiras sem vigilância: quais são os impactos ambientais e sociais?

Quando uma fogueira mal apagada provoca um incêndio florestal, os primeiros atingidos são a fauna e a flora locais. Afinal, animais de pequeno porte raramente conseguem escapar com rapidez das chamas, e muitos morrem por queimaduras ou inalação de fumaça. Espécies maiores podem até fugir, mas perdem habitat, áreas de alimentação e locais de reprodução. Por sua vez, a vegetação sofre danos que podem levar décadas para serem revertidos. Em especial, nas florestas maduras e remanescentes de biomas já fragmentados.

As comunidades próximas também enfrentam riscos consideráveis. A fumaça densa afeta a qualidade do ar, agravando problemas respiratórios em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. Em alguns municípios, incêndios originados por fogueiras sem controle já levaram à interdição de estradas, evacuação de bairros rurais e danos a infraestrutura, como postes de energia e cercas. Além disso, o custo das operações de combate, que envolvem bombeiros, brigadistas voluntários, aeronaves e veículos especializados, recai sobre recursos públicos.

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Outro ponto relevante é o impacto indireto sobre atividades econômicas ligadas ao meio ambiente, como turismo ecológico, agricultura e produção de água. Afinal, áreas queimadas perdem atratividade para visitantes, sofrem erosão do solo e têm redução da capacidade de recarga de aquíferos. Assim, um ato aparentemente simples, como abandonar uma fogueira sem supervisão, pode desencadear uma cadeia de prejuízos ambientais e financeiros de grande escala.

A prevenção de incêndios florestais que se associam a fogueiras depende de atitudes básicas, mas consistentes – depositphotos.com / toa55
Foto: Giro 10

Como prevenir incêndios causados por fogueiras em acampamentos?

A prevenção de incêndios florestais que se associam a fogueiras depende de atitudes básicas, mas consistentes. Em especial, nos acampamentos e atividades ao ar livre. Em muitos parques e áreas de proteção, o uso de fogo já é restrito ou proibido, justamente para reduzir os riscos. Porém, onde se permite o acendimento, recomenda-se seguir um conjunto de cuidados que diminui de forma expressiva a possibilidade de um foco de incêndio.

Entre as principais orientações, destacam-se:

  • Escolher o local com cuidado: abrir a fogueira apenas em áreas autorizadas, afastadas de árvores, raízes expostas, folhas secas e materiais inflamáveis.
  • Preparar o solo: limpar um círculo amplo ao redor do fogo, removendo galhos, grama e qualquer resíduo que possa pegar fogo com facilidade.
  • Manter supervisão constante: nunca deixar o fogo sozinho, mesmo por períodos curtos, e evitar dormir com a fogueira ainda acesa.
  • Controlar o tamanho: acender apenas o necessário para cozinhar ou se aquecer, evitando fogueiras grandes e difíceis de controlar.
  • Ter água e terra por perto: manter baldes, galões ou recipientes com água, além de areia ou terra, para uma eventual necessidade de apagar rapidamente as chamas.

Ao encerrar o uso da fogueira, o processo de apagar deve ser cuidadoso e completo. Assim, um passo a passo simples ajuda a garantir que nenhuma brasa permaneça ativa:

  1. Espalhar as brasas com um pedaço de pau ou ferramenta apropriada, ampliando a área de contato.
  2. Jogar água lentamente sobre todo o material queimado, mexendo as cinzas para que o líquido alcance as partes mais profundas.
  3. Repetir a aplicação de água até que não haja mais fumaça, vapor ou cheiro de queimado.
  4. Cobrir o local com terra ou areia, misturando bem, e verificar com cuidado se não há áreas quentes ao toque.

Em períodos de seca intensa, a orientação de órgãos ambientais é preferir alternativas sem chama aberta, como fogareiros portáteis certificados, ou até evitar qualquer tipo de fogo em áreas naturais. A combinação de responsabilidade individual, fiscalização e informação atualizada reduz de forma significativa o número de incêndios florestais provocados por fogueiras sem vigilância, protegendo ecossistemas, animais silvestres e comunidades humanas que dependem diretamente da integridade desses ambientes.

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