Um novo relatório divulgado nesta quarta-feira (29) pelo serviço de mudanças climáticas Copernicus, da União Europeia, e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) indica que pelo menos 95% do continente teve temperaturas anuais acima da média em 2025, com eventos extremos que vão de ondas de calor no Círculo Polar Ártico até incêndios florestais sem precedentes.
De acordo com o estudo "Situação Europeia do Clima 2025", países como Reino Unido, Noruega e Islândia tiveram seus anos mais quentes já registrados. Na Turquia, os termômetros atingiram 50°C pela primeira vez, enquanto 85% da população grega foi afetada por temperaturas próximas ou acima dos 40°C.
Na Escandinávia, uma onda de calor de 21 dias no último verão boreal levou os termômetros em áreas do Circulo Polar Ártico a mais de 30ºC, enquanto a região subártica teve "estresse térmico forte" por quase duas semanas, condição normalmente observada em apenas dois dias por ano.
O relatório confirma que geleiras em todas as regiões europeias tiveram perda líquida de massa. A Islândia registrou a segunda maior perda glacial de sua história, enquanto a camada de gelo da Groenlândia sofreu redução de 139 gigatoneladas (139 bilhões de toneladas) de gelo ? o equivalente, segundo Samantha Burgess, vice-diretora do serviço Copernicus, a "perder 100 piscinas olímpicas a cada hora".
Já a cobertura de neve no continente ficou 31% abaixo da média, a terceira menor marca já contabilizada. "A Europa é o continente que está se aquecendo mais rapidamente, e os impactos já são sérios", declarou Florian Pappenberger, diretor-geral do Centro Europeu para Previsões Meteorológicas de Médio Prazo.
Desde 1980, a Europa aquece duas vezes mais rápido que a média global, segundo a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
Os incêndios florestais queimaram cerca de 1.034.550 hectares ? a maior área já registrada ?, enquanto tempestades e inundações afetaram milhares de pessoas, embora as precipitações extremas tenham sido menos difundidas do que em anos anteriores. As vazões dos rios ficaram abaixo da média em 11 dos 12 meses do ano em toda a Europa.
Em contraponto aos eventos climáticos extremos, o relatório aponta que as energias renováveis forneceram quase metade (46,4%) da eletricidade da Europa em 2025, superando os combustíveis fósseis pelo terceiro ano consecutivo. A energia solar bateu recorde, com participação de 12,5% na geração elétrica do continente.
Ainda assim, autoridades europeias alertam que é preciso acelerar a transição. "Isso não é suficiente. Precisamos trabalhar para nos afastar dos combustíveis fósseis", afirmou Dusan Chrenek, assessor climático da Comissão Europeia.
O relatório também aponta que, com o retorno esperado do fenômeno El Niño em meados de 2026, a Europa e o resto do mundo podem enfrentar mais um verão de calor extremo.