Estudo na PLOS Biology alerta que as perdas de florestas de algas marinhas causadas pelo clima superam em até 10 mil vezes os ganhos da restauração, destacando a necessidade de priorizar a conservação dos ecossistemas naturais.
O esforço global para restaurar florestas de algas marinhas como forma de combater o aquecimento global pode ser insuficiente. Um estudo recente revela que as perdas desses ecossistemas causadas pelas mudanças climáticas superam em até 10 mil vezes o carbono capturado pelos projetos de restauração atuais. A pesquisa indica que a preservação dos habitats existentes é uma estratégia muito mais eficaz do que a recuperação artificial.
O artigo assinado por Karen Filbee-Dexter, da Universidade da Austrália Ocidental, e publicado no periódico PLOS Biology, calcula que o declínio das florestas de algas representará uma redução no sequestro natural de 1,5 a 30 milhões de toneladas de carbono por ano.
As projeções dos cientistas indicam que 25 milhões de hectares de florestas selvagens de algas serão destruídos até 2050 pelo aquecimento global. Essa área equivale a mais de 6.000 vezes toda a extensão recuperada por intervenções humanas desde o ano de 1958.
Iniciativas de reflorestamento marinho em larga escala conduzidas na Noruega e na Califórnia demandaram volumosos investimentos de tempo e recursos financeiros. Para compensar o ritmo atual de degradação planetária, especialistas estimam que seriam necessárias dezenas de milhares de novas frentes de trabalho semelhantes, gerando custos na casa das centenas de bilhões de dólares americanos.
A promoção do plantio como método central de remoção de dióxido de carbono corre o risco de criar uma falsa expectativa na sociedade e atrasar a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, advertem os pesquisadores.
Em declaração conjunta, os autores afirmam: "Conservar e restaurar florestas de algas vale a pena, mas precisamos ser realistas sobre o que isso pode alcançar em termos de mitigação significativa das mudanças climáticas por meio da remoção de dióxido de carbono. Atualmente, as perdas de florestas de algas impulsionadas pelo clima são ordens de magnitude maiores do que os ganhos devido à restauração. Defendemos que a restauração de florestas de algas não pode proporcionar uma mitigação significativa das mudanças climáticas nas escalas e velocidades necessárias para compensar nossas crescentes emissões."