Milhares de camarões de água doce morreram e se acumularam em uma prainha do Rio Tietê, em Igaraçu do Tietê, no interior de São Paulo. O fenômeno teve o pico no fim da tarde de segunda-feira, 2, mas ainda havia espécimes morrendo entre terça e esta quarta-feira, 4. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) enviou equipe ao local e recolheu amostras da água e dos camarões para análise.
De acordo com Juarez Sbeghen, responsável pelo setor de fiscalização do município, os pitus, como são conhecidos os camarões de água doce, começaram a se acumular na prainha por volta das 17h de segunda. "A gente já tinha visto mortandade de peixes, que são até frequentes, mas de camarão nunca tinha acontecido. Técnicos da nossa Secretaria do Meio Ambiente e da Cetesb estão apurando o que aconteceu", disse.
Inicialmente, segundo ele, os camarões apareceram mortos apenas na prainha. "Depois verificamos que estavam se acumulando também nas margens, ao longo do rio. Só na prainha recolhemos dois caminhões de camarão misturado com a areia. O material já foi encaminhado para o aterro sanitário de Barra Bonita, conforme orientação da Cetesb", diz.
Como pesquisadores fizeram registro inédito de fungo de 'The Last of Us' na AmazôniaA prainha fica próxima à barragem da hidrelétrica de Barra Bonita. A operadora da barragem, Auren Energia, diz não haver qualquer relação entre a manutenção preventiva da eclusa da Usina Hidrelétrica de Barra Bonita e o aparecimento de camarões de água doce em Igaraçu do Tietê. Assim que tomou conhecimento da situação, mesmo não havendo conexão com a operação da UHE Barra Bonita, a empresa comunicou a Cetesb e se colocou à disposição para apoiar os órgãos ambientais na apuração do caso.
O camarão de água doce, do gênero Macrobrachium, conhecido como pitu, tem sabor semelhante ao do camarão marinho. A espécie é nativa das regiões lacustres do sudeste dos Estados Unidos, mas ocorre até o sul do Brasil, sendo comum sua presença em águas correntes.