Cerca de 70 mil hectares foram consumidos na Itália devido aos incêndios no verão europeu em 2026 - área que corresponde a 100 mil campos de futebol -, informou o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) nesta quarta-feira (5).
Segundo a organização, isso representa um aumento de 133% em relação à média das últimas duas décadas. O relatório da WWF também aponta que as queimadas atingiram quase um terço de áreas protegidas italianas.
No entanto, a situação foi pior em outros países da Europa: 219 mil hectares foram destruídos pelas chamas na Espanha e 91 mil, na França, resultando em dezenas de vítimas e na evacuação de mais de 300 mil pessoas.
Estudos recentes demonstraram que as mudanças climáticas causadas pelas emissões humanas de gases de efeito estufa tornaram as condições meteorológicas extremas, aumentando a probabilidade de incêndios em ao menos duas na França e em 20 vezes, na Espanha.
"A Europa está em chamas, mas, enquanto bombeiros lançam água sobre incêndios florestais incontroláveis, nossos líderes estão sentados em salas com ar-condicionado, debatendo o quanto devem enfraquecer as leis da União Europeia sobre clima e natureza", declarou Anke Schulmeister-Oldenhove, gerente de Florestas da WWF na UE.
"A verdadeira questão deveria ser como fortalecê-las [as leis ambientais] para evitar catástrofes futuras", acrescentou.
Schulmeister-Oldenhove frisou que "cada hectare queimado, cada comunidade evacuada e cada ecossistema destruído é um lembrete de que as mudanças climáticas não são uma ameaça futura, mas uma realidade atual".
"A pior resposta possível é desmantelar justamente as políticas criadas para reduzir emissões, aumentar a resiliência dos ecossistemas naturais e restaurar as defesas naturais", concluiu.