Brasil perde 45% da água tratada enquanto avanço da IA pressiona demanda hídrica

País tem ao menos quatro data centers de inteligência artificial em construção

21 mar 2026 - 04h57
Brasil desperdiça cerca de 45% de água potável
Brasil desperdiça cerca de 45% de água potável
Foto: iiievgeniy/Getty Images

Uma pergunta simples para uma ferramenta de inteligência artificial (IA) pode consumir cerca de 50 ml de água. Mas imagine esse cenário a longo prazo e com milhões de pessoas fazendo uso desse recurso. Em escala global, esse uso pode pressionar ainda mais a demanda por recursos hídricos.

Neste domingo, 22, celebra-se o Dia Mundial da Água, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 com objetivo de conscientizar a população sobre a crise hídrica e a importância de cuidar deste recurso finito.

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Em meio a isso, o Brasil integra um debate sobre desperdício de recurso enquanto o uso de data centers para inteligência artificial se expande. O país concentra cerca de 12% da água doce superficial do planeta. No entanto, 45% de água potável são perdidos antes que ela chegue ao consumidor final.

Ou seja, mesmo sendo uma das nações mais ricas em água, o Brasil ainda enfrenta ineficiências no uso por recursos hídricos que geram prejuízo de mais de R$ 12 bilhões por ano e limitam a expansão do acesso ao abastecimento.

Do outro lado, a evolução acelerada da IA e da infraestrutura de data centers pode demandar muitos litros de água por dia. Os centros de processamento de alta capacidade precisam desse recurso. Funciona assim: os data centers aquecem enquanto estão em funcionamento e, por isso, precisam de resfriamento. 

Vista aérea de um grande centro de dados do Google sendo construído em Cheshunt, Hertfordshire, Reino Unido
Foto: Richard Newstead/Getty Images

Esse resfriamento pode ser feito por ventiladores específicos, ar-condicionado, entre outros. Tudo isso demanda o uso de muita água. Um estudo publicado pela Universidade da Califórnia em Riverside estima que de 20 a 50 interações com IA possam consumir cerca de 500 ml de água indiretamente. 

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Especialistas apontam que o crescimento destes grandes centros de processamento de dados nos próximos anos pode ampliar a demanda estrutural por recursos hídricos nas próximas décadas.

"O ambiente digital não é imaterial. Ele depende de infraestrutura física robusta, energia e água. Se não houver planejamento, a expansão tecnológica pode pressionar sistemas locais já sobrecarregados", diz Felipe Mendes, diretor comercial da T&D Sustentável, empresa especializada em eficiência hídrica.

O Brasil já possui ao menos quatro projetos de data centers de inteligência artificial em construção, sendo um no Rio de Janeiro (RJ), outro em Eldorado do Sul (RS), em Maringá (PR) e em Uberlândia (MG).

Esses centros também servem para operar serviços de nuvem na internet. No país, existem 188 data centers de nuvem, o que o posiciona em 12º lugar no mundo. O assunto acende um alerta sobre o uso de recursos hídricos.

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"A água deveria ter o mesmo nível de monitoramento aplicado à energia e a outros insumos críticos. Empresas que não medem seu consumo com precisão dificilmente conseguem reduzir perdas ou antecipar riscos", acrescenta Mendes.

A disponibilidade de energia renovável, a posição geográfica e os custos operacionais competitivos tornam o Brasil um atrativo para os investidores. A maneira como os recursos hídricos serão gerenciados, no entanto, será uma questão a ser resolvida quando estes centros passarem a funcionar, especialmente para que se evite uma sobrecarga na infraestrutura.

Fonte: Portal Terra
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