Como as baleias ajudam a combater as mudanças climáticas e por que sua preservação pode beneficiar todo o planeta

Pesquisas recentes mostram que as baleias exercem um papel relevante no combate às mudanças climáticas. Saiba como isso funciona.

8 jun 2026 - 12h30

As baleias são frequentemente lembradas pelo porte impressionante e pelo comportamento migratório. No entanto, pesquisas recentes mostram que esses mamíferos marinhos também exercem um papel relevante no combate às mudanças climáticas. Longe de serem apenas habitantes dos oceanos, elas funcionam como aliadas discretas na captura e no armazenamento de carbono, ajudando a regular o clima em escala planetária.

Ao longo das últimas décadas, estudos de biólogos marinhos, oceanógrafos e climatologistas revelaram que a presença de grandes cetáceos altera a dinâmica de nutrientes no mar e influencia diretamente a produtividade dos ecossistemas oceânicos. Assim, esse conjunto de processos, que vai do corpo da baleia ao chamado "efeito fertilizador", faz com que a palavra-chave baleias e mudanças climáticas apareça cada vez mais em relatórios científicos e discussões sobre soluções baseadas na natureza.

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Longe de serem apenas habitantes dos oceanos, elas funcionam como aliadas discretas na captura e no armazenamento de carbono, ajudando a regular o clima em escala planetária – depositphotos.com / CoreyFord
Longe de serem apenas habitantes dos oceanos, elas funcionam como aliadas discretas na captura e no armazenamento de carbono, ajudando a regular o clima em escala planetária – depositphotos.com / CoreyFord
Foto: Giro 10

Como as baleias ajudam a capturar e armazenar carbono?

O papel das baleias na regulação do clima começa pelo próprio corpo. Afinal, cada indivíduo acumula grandes quantidades de carbono em músculos, gordura e ossos ao longo da vida, que pode chegar a várias décadas. Assim, estima-se que uma baleia de grande porte possa armazenar várias toneladas de carbono orgânico, equivalente ao que centenas ou milhares de árvores capturam no mesmo período.

Quando morrem, muitos desses animais vão parar no fundo do mar, num fenômeno que tem o nome de "queda de baleia". Nessa etapa, o carbono contido no corpo fica retido nas profundezas oceânicas por séculos ou até milênios, em vez de retornar rapidamente à atmosfera na forma de dióxido de carbono (CO₂). Assim, esse processo funciona como uma espécie de "sequestro de carbono azul", semelhante ao promovido por manguezais e pradarias marinhas.

Além disso, as baleias desempenham um papel relevante no chamado "bombeamento biológico" de carbono. Ao se deslocarem verticalmente na coluna d'água em busca de alimento, elas ajudam a misturar camadas superficiais e profundas do oceano, contribuindo para o transporte de matéria orgânica e nutrientes que alimentam outros organismos responsáveis pela captura de CO₂.

O que é o "efeito fertilizador" das baleias?

Outro mecanismo central na relação entre baleias e mudanças climáticas é o chamado "efeito fertilizador". Nesse aspecto, eesquisas indicam que esses animais atuam como verdadeiras bombas de nutrientes. Ao se alimentarem em águas profundas, ricas em ferro e outros minerais, e eliminarem fezes em zonas mais superficiais, elas devolvem ao ambiente uma mistura de compostos que estimula o crescimento do fitoplâncton.

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O fitoplâncton é um conjunto de microalgas que realiza fotossíntese, absorvendo CO₂ da atmosfera e liberando oxigênio. Parte do carbono assimilado por esses organismos afunda quando eles morrem ou são consumidos por outros seres marinhos, contribuindo para o armazenamento de carbono nos oceanos. Assim, quanto maior a biomassa de fitoplâncton, maior tende a ser a capacidade do mar de reter dióxido de carbono.

Estudos publicados na última década estimam que populações saudáveis de grandes baleias podem aumentar de forma significativa a produtividade de certas regiões oceânicas. Entre os nutrientes mais importantes transportados por esses animais estão o ferro e o nitrogênio, especialmente em áreas como o Oceano Antártico, onde a disponibilidade desses elementos limita o crescimento do fitoplâncton.

  • Fezes ricas em nutrientes: funcionam como fertilizante natural nas camadas superficiais.
  • Movimentos migratórios: redistribuem nutrientes entre zonas de alimentação e reprodução.
  • Cadeia alimentar: o aumento do fitoplâncton favorece zooplâncton, peixes e outros organismos, fortalecendo todo o ecossistema.

Qual é o papel das baleias no ciclo do carbono e na saúde dos oceanos?

Dentro dos ecossistemas marinhos, as baleias ocupam o topo da cadeia alimentar e participam de uma teia de relações que vai muito além da predação. Ao consumir grandes quantidades de krill, peixes e lulas, elas ajudam a controlar populações de presas e a manter o equilíbrio entre diferentes níveis tróficos. Esse equilíbrio tem impacto direto na estabilidade do ciclo do carbono nos mares.

A presença de grandes cetáceos está associada a mares mais produtivos e variados, com comunidades de microrganismos, peixes e invertebrados mais complexas. Quanto mais diverso é o ecossistema, maior tende a ser sua capacidade de absorver perturbações, como ondas de calor marinho ou mudanças na acidez da água. Dessa forma, a recuperação de populações de baleias é vista por parte da comunidade científica como um componente estratégico de políticas de restauração oceânica.

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Relatórios de organismos internacionais vêm destacando que a proteção desses mamíferos marinhos pode ser considerada uma medida de "duplo benefício": contribui para a conservação da biodiversidade e, ao mesmo tempo, reforça a capacidade dos oceanos de funcionarem como sumidouros naturais de carbono. Alguns estudos apontam que, se as populações de baleias voltassem a níveis próximos aos registrados antes da caça industrial, seria possível ampliar significativamente a quantidade de CO₂ retida nos mares.

A recuperação das baleias pode ajudar no combate às mudanças climáticas?

Na prática, restaurar estoques de baleias significa reduzir pressões humanas sobre esses animais. Depois de décadas de caça intensa, tratados internacionais firmados a partir da segunda metade do século XX permitiram alguma recuperação de certas espécies. No entanto, esse avanço ainda é considerado parcial, e muitas populações seguem em estado vulnerável ou ameaçado.

A discussão sobre baleias e mudanças climáticas passou a incluir cálculos econômicos aproximados. Alguns modelos tentam estimar quanto carbono adicional poderia ser retirado da atmosfera com a recuperação desses mamíferos marinhos, comparando esse potencial com outras ações climáticas. Embora haja incertezas e variações entre estudos, a tendência é considerar as baleias como parte de um pacote de soluções baseadas na natureza, ao lado de florestas, manguezais e recifes.

  1. Proteção de áreas-chave de alimentação e reprodução.
  2. Redução de colisões com navios por meio de rotas alternativas e limitação de velocidade.
  3. Controle do ruído submarino, que interfere na comunicação desses animais.
  4. Combate à pesca ilegal e ao uso de equipamentos que causam emalhe.
  5. Monitoramento científico contínuo para ajustar políticas de conservação.
Dentro dos ecossistemas marinhos, as baleias ocupam o topo da cadeia alimentar e participam de uma teia de relações que vai muito além da predação – depositphotos.com / CoreyFord
Foto: Giro 10

Quais são as principais ameaças e por que a conservação das baleias é estratégica?

Apesar do potencial de contribuição para o clima global, as baleias enfrentam um conjunto amplo de ameaças. Entre elas, pesquisadores apontam a poluição química, o acúmulo de plásticos, colisões com embarcações, captura acidental em redes de pesca e a própria intensificação das mudanças climáticas, que altera a disponibilidade de alimento e as rotas migratórias.

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O aquecimento dos oceanos provoca redistribuição de cardumes e de krill, o que obriga as baleias a percorrer maiores distâncias em busca de alimento. Ao mesmo tempo, o derretimento de gelo em regiões polares e o aumento da acidez da água afetam diretamente os organismos que compõem a base da cadeia alimentar. Esse cenário pode reduzir a eficácia do "efeito fertilizador" e comprometer a função desses animais como aliados no sequestro de carbono.

Especialistas em conservação marinha consideram que proteger as baleias significa preservar um conjunto de processos ecológicos que se estendem por milhares de quilômetros. A manutenção e a recuperação desses mamíferos marinhos não são apresentadas como solução única para a crise climática, mas como parte de uma estratégia mais ampla que integra redução de emissões, restauração de ecossistemas e uso sustentável dos recursos oceânicos. Nesse contexto, a sobrevivência das baleias passa a ser vista não apenas como uma questão de biodiversidade, mas também como um elemento relevante para a estabilidade do clima global.

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