Super El Niño no segundo semestre de 2026 acende alerta para eventos climáticos extremos

Agência da Organização das Nações Unidas afirma que fenômeno extremamente forte pode ocorrer entre junho e agosto

5 jun 2026 - 04h59
Pequenos barcos encalhados no rio durante a seca amazônica
Pequenos barcos encalhados no rio durante a seca amazônica
Foto: Getty Images/Tarcisio Schnaider

Um comunicado emitido pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta para 80% de probabilidade de um El Niño extremamente forte entre junho e agosto de 2026. A agência, que é ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), afirma que ainda há incerteza quanto à intensidade máxima e ao momento de pico.

No entanto, a maioria dos modelos de previsão sugere que ele será ao menos de intensidade moderada e possivelmente forte, tornando-se o chamado "Super El Niño". As probabilidades de que o fenômeno continue até pelo menos novembro são superiores a 90%.

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O fenômeno caracteriza-se pelo aquecimento das temperaturas da superfície do oceano no Pacífico Equatorial central e oriental, e ocorre entre a cada dois a sete anos, com duração de nove a doze meses.

Mesmo o fenômeno sendo moderado, ele aumenta a probabilidade de ocorrência de eventos climáticos extremos. As mudanças climáticas podem amplificar os impactos do El Niño, tendo em vista que o oceano e a atmosfera mais quentes fornecem mais energia e umidade para ondas de calor e chuvas intensas, por exemplo.

"Os impactos serão ainda mais severos, viajarão ainda mais longe e cruzarão fronteiras com velocidade devastadora. A única resposta eficaz é uma ação climática à altura da crise – acabar com a dependência dos combustíveis fósseis, acelerar a transição para as energias renováveis, proteger os mais vulneráveis e implementar sistemas de alerta precoce para todos", declara o Secretário-Geral da ONU, António Guterres.

Estão previstas temperaturas acima da média em quase todo o planeta a partir deste mês até agosto, segundo a agência da ONU. O El Niño normalmente aumenta as temperaturas globais e favorece padrões mais extremos de clima e precipitação. 

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“O mundo deve tratá-lo como o alerta climático urgente que é. As condições de El Niño irão intensificar ainda mais o aquecimento global. Seus impactos serão mais severos, se espalharão mais longe e atravessarão fronteiras com velocidade devastadora”, diz Guterres. 

Enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 ocorreram durante a passagem do El Niño
Foto: Cid Guedes

Quais os impactos do El Niño no Brasil?

Na região Sul, há o aumento das chuvas, o que pode impactar a agricultura e aumentar o risco de enchentes, como as que assolaram o Rio Grande do Sul em 2024, afetando mais de 2,4 milhões de pessoas.

O inverno também pode ser mais quente no Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste, podendo afetar os reservatórios de água. O Norte e o Nordeste tendem a enfrentar secas extremas e temperaturas mais elevadas, podendo elevar a ocorrência de incêndios florestais e falta de água nos rios da Amazônia.

Apesar do El Niño não ser responsável diretamente pela escassez de água, ele tende a agravar os efeitos das mudanças climáticas. Na prática, além da população ser afetada no dia a dia, empresas que dependem desse recurso podem enfrentar problemas durante o El Niño. Felipe Mendes, diretor da T&D Sustentável, explica que o pior cenário não é a escassez de água em si, mas a falta de preparo para enfrentá-la. 

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"A água deveria ter o mesmo nível de monitoramento aplicado à energia e a outros insumos críticos. Organizações que acompanham seus indicadores hídricos conseguem agir preventivamente, antes que isso afete a operação. Quem espera a estiagem chegar para agir perde a janela mais importante: a da preparação", explica. 

Temperaturas elevadas abrem brecha para incêndios florestais
Foto: Getty Images/Brasil2

O comunicado emitido pela OMM é claro: as condições para o El Niño estão se desenvolvendo e deverão influenciar os padrões globais de temperatura e precipitação, aumentando o risco de eventos climáticos extremos nos próximos meses. O momento é de preparo e planejamento.

"Precisamos nos preparar para um evento de El Niño potencialmente forte, que agravará secas e chuvas intensas e aumentará o risco de ondas de calor tanto em terra quanto nos oceanos. O El Niño mais recente, em 2023-2024, foi um dos cinco mais fortes já registrados e contribuiu para as temperaturas globais recordes observadas em 2024”, afirma Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.

A agência da ONU acrescenta que irá monitorar o fenômeno nos próximos, para ajudar na preparação para proteger vidas e meios de subsistência. "Previsões sazonais antecipadas e alertas precoces são fundamentais para salvar vidas e reduzir os impactos sobre nossas economias e comunidades”, complementa Celeste.

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O governo federal tem reunido representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre outros, para planejar ações que possam minimizar os impactos do El Niño.

Fonte: Portal Terra
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