O tambor Djidji Ayokwe foi tomado por tropas coloniais francesas em 1916. Artefato é o primeiro a retornar ao país após aprovação de legislação pelo Parlamento francês.O "tambor falante" Djidji Ayokwe, que foi saqueado por tropas coloniais francesas em 1916 e levado para a França, retornou à Costa do Marfim nesta sexta-feira (13/01), na mais recente repatriação de artefatos roubados. O tambor de madeira tem mais de três metros de comprimento e pesando 430 quilos.
Ele era utilizado pelo povo Atchan, nativo do sul da Costa do Marfim, para alertar a população local sobre as operações de trabalho forçado realizadas pelos colonizadores e para mobilizar combatentes.
A entrega oficial ocorreu em 20 de fevereiro, após o parlamento francês ter aprovado a retirada da peça das coleções do museu nacional para possibilitar sua devolução. A Costa do Marfim havia solicitado, no final de 2018, a devolução do Djidji Ayokwe, entre 148 obras de arte levadas durante o período colonial.
Chefes tradicionais, usando coroas e correntes de ouro, reuniram-se na sexta-feira no principal aeroporto da Costa do Marfim para dar as boas-vindas ao primeiro artefato devolvido ao país da África Ocidental pela França.
"É um dia histórico, e estou profundamente emocionada", afirmou Françoise Remarck, ministra da Cultura e da Francofonia da Costa do Marfim, durante a cerimônia, que foi acompanhada por canções tradicionais e danças de guerra.
"Depois de uma longa ausência longe de sua terra, nosso tambor sagrado está finalmente voltando para o seu povo", disse Aboussou Guy Mobio, chefe da aldeia de Adjamé-Bingerville. "É como se uma peça que faltava na nossa história estivesse voltando", acrescentou Mobio.
Os tambores falantes são instrumentos de pressão em forma de ampulheta, concebidos para imitar o tom, o timbre e o ritmo da fala humana. O Djidji Ayôkwé tem 4 metros de comprimento e 430 kg.
Lei aprovada no Parlamento francês
Saqueado em 1916, o Djidji Ayokwe ("pantera-leão" na língua atchan) foi inicialmente mantido no palácio de um governador colonial em Abidjan antes de ser enviado para a França em 1930.
Nos últimos anos, tem aumentado a pressão para que antigas potências coloniais, como a França e o Reino Unido devolvam os artefatos retirados da África e da Ásia.
O presidente francês Emmanuel Macron anunciou pela primeira vez, em 2018, planos para repatriar artefatos culturais para nações africanas, após um relatório encomendado por ele a pesquisadores acadêmicos que recomendava essa medida.
No ano passado, o Parlamento francês aprovou uma lei especial que permite a retirada do artefato da Costa do Marfim das coleções francesas, como parte de esforços mais amplos.
O processo de repatriação exigiu consultas aos líderes tradicionais Atchan, que viajaram a Paris para realizar rituais destinados a retirar o caráter sagrado do tambor, de modo que ele pudesse ser restaurado e transportado.
O artefato passará por um período de aclimatação de um mês em um local seguro, para permitir que a madeira se adapte gradualmente do clima seco de Paris às condições tropicais úmidas de Abidjan, evitando rachaduras na madeira centenária.
Espera-se que ele seja exibido ao público em abril no recém-renovado Museu das Civilizações, em Abidjan.
Fcl (afp, ap, reuters)