O serviço de inteligência da Rússia (FSB) anunciou a prisão de um ex-militar alemão acusado de atuar como atirador de elite mercenário para a Ucrânia. O suspeito, veterano das Forças Armadas da Alemanha com histórico de missões no Afeganistão, Somália e Síria, teria desertado das tropas ucranianas por falta de pagamento. A detenção soma-se a uma série de prisões recentes de estrangeiros pelo governo russo sob acusações de mercenarismo, espionagem e sabotagem a favor de Kiev.
Alemão teria atuado como atirador de elite nas tropas ucranianas e foi preso por mercenarismo após supostamente desertar por falta de pagamento, segundo agência estatal russa de notícias.O FSB, serviço de inteligência interna da Rússia, informou sobre a prisão de um homem de origem alemã que teria desertado das Forças Armadas ucranianas. A notícia foi divulgada pela agência estatal russa de notícias Tass. Segundo as autoridades russas, o homem teria servido à Ucrânia como mercenário, atuando como atirador de elite (sniper). O FSB alega que ele desertou após não receber o soldo prometido.
As autoridades avaliam a abertura de um processo criminal por mercenarismo. Segundo a Tass, o cidadão alemão serviu nas Forças Armadas da Alemanha (Bundeswehr) entre 1996 e 2010. As informações fornecidas pelo serviço de inteligência russo não puderam ser verificadas de forma independente.
Atuação no Afeganistão, Somália e Síria
O FSB não informou onde o suspeito foi detido. Segundo as autoridades russas, ele participou, como soldado da Bundeswehr, de missões no Afeganistão e na Somália entre 2004 e 2010. Após deixar o serviço militar, teria lutado como mercenário na Síria.
Entre 2016 e 2018, o alemão teria integrado uma unidade de defesa territorial das Forças Armadas ucranianas — depois, portanto, da anexação ilegal da península ucraniana da Crimeia pela Rússia, mas antes da invasão em larga escala da Ucrânia pelas forças russas.
Segundo o FSB, o alemão atuou na linha de frente na região de Donetsk, então parcialmente controlada por separatistas pró-Rússia. Em 2025, ele teria retornado à Ucrânia para ganhar dinheiro, assinando um contrato de três anos para prestar serviço militar.
FSB relata prisões com frequência
A Rússia, que lançou sua ofensiva em larga escala contra a Ucrânia em fevereiro de 2022, anuncia com frequência a detenção de supostos colaboradores das Forças Armadas ucranianas. O serviço de inteligência também alerta regularmente cidadãos russos para que não aceitem recrutamento para ações consideradas crimes contra o Estado.
Há uma semana, o FSB comunicou a prisão de um cidadão sueco acusado de lutar pela Ucrânia. Segundo as autoridades russas, ele teria atuado como comandante de uma unidade de drones ucraniana.
De acordo com o FSB, o sueco foi detido ao cruzar ilegalmente a fronteira na região de Pskov, no oeste da Rússia. Ele é suspeito de planejar atos de sabotagem e ataques contra instalações militares russas.
Nos últimos quatro anos, tribunais russos impuseram longas penas de prisão a centenas de pessoas acusadas de crimes como traição, sabotagem e espionagem. Diversos estrangeiros também foram condenados e encarcerados, inclusive por supostas atividades mercenárias em favor da Ucrânia.
Em abril, as autoridades russas prenderam uma cidadã alemã que, segundo a acusação, carregava um artefato explosivo improvisado na mochila. De acordo com os investigadores, ela planejava atacar uma instalação pública na Rússia a mando da Ucrânia.
md (DPA, AFP)
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