A rodada de sabatinas com presidenciáveis na TV Globo terminou na sexta-feira, 16. Especialistas ouvidos pelo Terra avaliam que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria se mostrado mais preparado, tranquilo e respeitoso, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) focou em enaltecer seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e em criticar o adversário.
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Para Doacir Gonçalves de Quadros, professor de Ciência Política e do mestrado acadêmico do Centro Universitário UNINTER, "Flávio Bolsonaro não soube aproveitar esse espaço concedido na entrevista para sobretudo conquistar o voto do eleitor indeciso, ou seja, aquele que não é evangélico, que não é bolsonarista e que não é anti-PT".
Adriane Buarque de Holanda, coordenadora do Esfera Lab, laboratório de pesquisa em comunicação política e pública da ESPM Rio, aponta que Lula também atacou seu adversário, mas que fez isso de forma mais contundente nos argumentos. “Ele foi muito respeitoso com a apresentadora (Renata Lo Prete), em nenhum momento ele tentava fugir do assunto. Acho que todas as perguntas sobre o STF, sobre o caso do Lulinha, todas as questões foram respondidas, diferente do que eu vi do candidato Flávio Bolsonaro”, entende.
Dias de entrevista
Em ordem sorteada, Lula foi o primeiro entrevistado por Renata Lo Prete, que conduziu as sabatinas. Na quinta-feira, 15, ele fez mea-culpa sobre resultados de seu governo, citou ter uma 'relação civilizada' com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos para crimes hediondos e se posicionou sobre o escândalo do caso Master.
Já na sexta-feira, 16, foi a vez de Flávio Bolsonaro. O senador começou sendo questionado sobre propostas econômicas e sua mudança de posicionamento em torno do fim da escala 6x1. Ao longo da noite, ele focou em ataques a Lula, citou demissão de chefão da Globo e enalteceu o legado do pai. Se perder a eleição, Flávio falou que respeitará o resultado das urnas.
Para Quadros, Flávio "não soube aproveitar o espaço para destacar as suas qualidades pessoais para a gestão do país a ponto de dizer, de fato, quais são os atributos que ele tem para ser Presidente da República”.
Em paralelo, Holanda avalia que Flávio Bolsonaro usou muito mais tempo de sua entrevista para atacar Lula enquanto apresentou propostas rasas.
“Teve muita fuga das respostas e ele não foi tão respeitoso como foi Lula. Eu acho que Flávio queria dominar as perguntas com as ideias dele. Mas a Renata, como uma ótima apresentadora, uma ótima jornalista, trouxe uma condução. Ela retomava, dizia que ele não tinha respondido”, complementa.
Já sobre Lula, ambos avaliam que houve um melhor aproveitamento do tempo e da busca pelos votos indecisos.
“Ele chamou a atenção de que o seu governo apresentou falhas e disse que pretende melhorar nossa nova gestão, uma vez sendo vencedor nas eleições. Ele também destacou sobre a importância da redução da maioridade penal a favor da investigação do STF, e também no avanço a programas de renegociação da dívida da população. De certa forma, essas propostas vão ao encontro, por exemplo, de eleitores que se mostraram indecisos no primeiro turno”, aponta Doacir.
Reta final da eleição
O eleitorado brasileiro irá escolher qual dos dois será o próximo Presidente da República no último domingo do mês, dia 25.
Até o momento, Flávio Bolsonaro e Lula ainda não debateram diretamente, com os dois faltando a todos os debates promovidos no primeiro turno e participando apenas de entrevistas únicas. Mas isso deve mudar em breve. Há dois debates marcados para o segundo turno: o primeiro está marcado para domingo, dia 18, promovido pela Band; já o segundo acontecerá na véspera da eleição, no dia 23 de outubro, promovido pela Globo.