A Chancelaria russa qualificou hoje de "ilegais" as pressões que os Estados Unidos estão exercendo sobre a Tailândia para conseguir a extradição do suposto traficante de armas russo Viktor Bout, conhecido como o "Mercador da morte".
"Consideramos que tal classe de ações, que saem do âmbito legal, são inaceitáveis e não permitem uma audiência justa e objetiva do caso nos tribunais", assegurou em entrevista coletiva Andrei Nesterenko, porta-voz da Chancelaria.
Nesterenko ressaltou que as autoridades russas respeitam "o princípio de não interferência nos processos judiciais", informaram as agências locais.
"Partimos do princípio que a decisão final sobre o caso Bout se tomará em estrita consonância com a legislação do Reino da Tailândia e as normas do direito internacional", disse.
Por sua vez, ressaltou que as autoridades russas estão fazendo todo o possível para que Bout "retorne em breve à sua pátria", já que está detido na Tailândia desde 6 de março de 2008.
Em meados de outubro, o procurador-geral adjunto dos EUA, David Ogden, viajou para Tailândia para abordar com funcionários do Ministério da Justiça local a extradição de Bout, que foi negada em agosto por um tribunal tailandês.
"O assunto sobre o procedimento de extradição de Viktor Bout é de grande importância para os Estados Unidos. Ele é acusado de sérios delitos contra os americanos", disse.
Washington reivindica que Bout seja julgado em um tribunal americano por vender armas à guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), conspirar para assassinar funcionários americanos e comprar armamento, acusações que, sendo processado nos EUA, poderiam render-lhe a cadeia perpétua.
No final de setembro, um tribunal penal de Bangcoc também desprezou a alegação apresentada pela Colômbia a favor da extradição do traficante de armas, por entender que se apresentou fora de prazo.
Se o Supremo tailandês rejeita o recurso apresentado pelos EUA, este não poderá apelar de novo e o "Mercador da morte" será posto em liberdade no prazo de trinta dias.
Bout foi detido em março de 2008 em um luxuoso hotel de Bangcoc por funcionários da agência antidroga dos EUA que se fizeram passar por compradores de armamento.
Segundo o FBI americano e o MI6 britânico, Bout liderou durante anos uma das maiores redes privadas de contrabando de armas de todo o mundo, que despachava desde fuzis e bazucas até carros de combate e helicópteros a adversários em conflitos em vários pontos do planeta.