Morte de Marielle Franco, em março, segue sem explicações

A vereadora era conhecida por seu embate contras as milícias no Estado do Rio de Janeiro .

11 dez 2018 - 09h00
(atualizado em 12/12/2018 às 15h46)

A vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco foi morta no dia 14 de março deste ano, junto com seu motorista, Anderson Gomes. Até hoje não se sabe quem matou a ativista e nem quem foram os mandantes do crime, apesar de o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, ter dito que a investigação estava chegando ao fim em abril. Poucas horas antes do assassinato, Marielle, que foi a quinta vereadora mais votada nas eleições municipais de 2016, havia participado do evento 'Jovens Negras Movendo Estruturas', no centro do Rio.

Marielle era conhecida por seu embate contras as milícias no Estado do Rio de Janeiro e no dia seguinte à morte, o coordenador criminal do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, o procurador José Maria Panoeiro, disse que uma análise inicial apontava para o possível envolvimento de policiais ou agentes milicianos no crime. Já a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, determinou a abertura de um procedimento instrutório para federalizar as investigações

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Cartaz em homenagem à vereadora no Rio de Janeiro
Cartaz em homenagem à vereadora no Rio de Janeiro
Foto: Jose Lucena / Futura Press

Em julho, um ex-policial militar acusado de estar no carro do qual criminosos dispararam contra a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foi preso. Em agosto, O delegado e diretor da Divisão de Homicídios, Fábio Cardoso, afirmou que o assassinato "está envolvido com a atuação política" da vereadora. Em setembro, o general Richard Nunes, que chefia a intervenção federal no Rio, declarou que podia fechar o ano sem concluir o caso. Em novembro, Jugmann disse que  "existiria uma grande articulação envolvendo agentes públicos, milicianos e políticos" atuando para impedir a resolução do caso.

Idosa visita túmulo de Marielle Franco no dia de Finados, no Rio de Janeiro
Foto: Jorge Hely / Framephoto / Estadão Conteúdo

Conselho Nacional dos Direitos Humanos pediu proteção para a família de Marielle, que deixou mulher e uma filha. A viúva pediu proteção à Comissão Interamericana de Direitos Humanos  e também denunciou à ONU a falta de respostas. Já a irmã da vereadora apelou à Secretaria Estadual de Segurança do Rio por proteção após receber ameaças.

O assassinato gerou repercussão internacional. Deputados da União Europeia pediram fim de acordo com o Mercosul por causa do caso. Já a encarregada e direitos humanos e assistência humanitária no Ministério do Exterior alemão, Bärbel Kofler, pediu transparência nas investigações. A Organização das Nações Unidas (ONU) exigiu uma investigação "rápida e imparcial", assim como a Anistia Internacional.

Foto: Reprodução

A vereadora também foi vítima de diversas acusações falsas após ser assassinada. Uma delas era de que ela teria sido casada com o traficante Marcinho VP, era usuária de drogas e teria sido eleita com apoio do Comando Vermelho. A mentira foi compartilhada inclusive pelo deputado Alberto Fraga (DEM-DF) e diversos vídeos difamatórios foram retirados do ar após decisão da Justiça, além de postagens no Facebook.

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Assassinatos de Marielle e Anderson desencadearam protestos pelo Brasil e pelo mundo
Foto: DW / Deutsche Welle

Durante a campanha eleitoral, uma homenagem a Marielle foi alvo de ataques por dois candidatos a deputado do PSL. O governador eleito, Wilson Witzel (PSC) também estava presente. O caso gerou repercussão e também sofreu críticas nas redes sociais. Pouco depois, Marielle foi homenageada com o samba-enredo da Mangueira.

Escola de samba Mangueira homenageará vereadora morta em março no desfile do Carnaval 2019
Foto: José Lucena / Futura Press / Estadão Conteúdo
Fonte: Redação Terra
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