Resort da família Trump provoca eclosão de protestos anticorrupção na Albânia

5 jul 2026 - 11h46

Apelidado de "Revolução dos Flamingos", movimento se opõe à construção de projeto de luxo ligado a Ivanka Trump e Jared Kushner em área de preservação. Protestos têm virado movimento amplo contra corrupção.Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas neste sábado (04/07) em Tirana, capital da Albânia, no maior protesto até o momento contra um projeto de construção de um resort de luxo ligado à família do presidente americano, Donald Trump, numa área próxima a uma reserva natural.

Protesto em Tirana, com manifestantes adotando o flamingo como símbolo dos protestos
Protesto em Tirana, com manifestantes adotando o flamingo como símbolo dos protestos
Foto: DW / Deutsche Welle

Foi a 35º vez que grupos de albaneses tomaram em protestos contra o projeto desde fim de maio, quando surgiram notícias sobre a construção de um projeto turístico de luxo por uma empresa ligada à filha de Trump, Ivanka, e seu marido, Jared Kushner, em uma reserva natural na costa do Mar Adriático.

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O projeto de luxo tem duas frentes: um empreendimento no continente na zona da Lagoa Vjosa-Narta, que é uma reserva de vida selvagem, e um resort na ilha desabitada vizinha de Sazan, que serviu de base militar durante o regime comunista da Albânia.

Movimento mais amplo contra corrupção

Segundo opositores, o sinal verde para o projeto e as autorizações avançaram sem qualquer transparência.

A oposição ao projeto também logo se transformou numa expressão de insatisfação da população contra a corrupção no país. Os manifestantes têm exigido a renúncia do primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, pelo que consideram falta de transparência.

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O movimento foi apelidado de "Revolução dos Flamingos", em alusão às aves de plumagem cor-de-rosa, que neste caso costumam migrar para a reserva natural que pode ser afetada pela construção do resort.

"O que começou com a Revolução dos Flamingos despertou um amplo descontentamento público", declarou a manifestante Alketa Ademi, de 40 anos. "Falta de transparência, arrogância. Chega! O primeiro-ministro tem que sair", acrescentou.

Segundo os manifestantes, o projeto hoteleiro, avaliado em 4,6 bilhões de dólares (R$ 23,7 bilhões), representa um risco para o meio ambiente e a uma lagoa crucial para a sobrevivência das aves migratórias que se instalam nos arredores da Lagoa Vjosa-Narta. Além dos flamingos, a região abriga mais de 200 espécies protegidas.

As manifestações também foram reforçadas após Ivanka Trump revelar seu envolvimento no projeto ao conceder entrevista a um podcast no fim de maio, quando disse que o projeto seria o o "ponto culminante" de toda a sua "experiência no mercado imobiliário". A forma como Ivanka descreveu ter "descoberto" a ilha durante uma viagem em 2021 também irritou vários albaneses.

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O movimento contrário ao resort vem denunciando o Estado de cumplicidade com oligarcas que vêm se apropriando de valiosas terras costeiras, num processo que consideram um exemplo de privatização de bens públicos.

Além da demissão do primeiro-ministro socialista Edi Rama e do seu gabinete, os manifestantes exigem a formação de um governo interino durante 12 meses, reformas constitucionais que limitem a dois os mandatos do primeiro-ministro e a revogação da lei dos "investimentos estratégicos", que consideram responsável por facilitar tais empreendimento.

O movimento exige ainda a saída de Sali Berisha, líder do Partido Democrático, da oposição conservadora, a quem acusam de fazer parte de um sistema político que consideram corrupto.

A oposição à construção provocou a eclosão protestos diários em Tirana, onde na quinta-feira a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água contra manifestantes que tentavam chegar à sede do Parlamento.

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Alguns manifestantes responderam atirando ovos, pedras e outros objetos contra a polícia. Naquele dia, 15 policiais ficaram feridos e 25 manifestantes foram detidos, segundo as autoridades.

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jps (Lusa, AFP)

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