Síria anuncia visita de Macron, primeira de um chefe de Estado ocidental ao país desde queda de Assad

O presidente francês, Emmanuel Macron, é esperado em Damasco, anunciou neste domingo (5) a Presidência síria, sem informar a data da visita. Macron será o primeiro chefe de Estado de uma potência ocidental a visitar o país desde que Ahmad al-Chareh chegou ao poder, no fim de 2024.

5 jul 2026 - 14h37

O emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, foi, no início de 2025, o primeiro chefe de Estado a visitar Ahmad al-Chareh, que derrubou Bashar al-Assad em dezembro de 2024, à frente de uma coalizão islamista. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em janeiro de 2026, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em abril, seguiram o mesmo caminho.

Macron será, no entanto, o primeiro líder de um país da União Europeia e o primeiro chefe de Estado de uma potência ocidental a viajar a Damasco. Ele também foi o primeiro dirigente ocidental a receber al-Chareh, em maio de 2025, ao apostar no apoio à transição síria e ao aparecer ao lado do novo líder no Palácio do Eliseu, apesar das críticas de opositores de direita e extrema direita devido ao passado jihadista do novo representante de Damasco.

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A Presidência síria informou que Macron será acompanhado por uma delegação de "investidores e representantes de empresas francesas" para "reforçar a cooperação econômica". O Palácio do Eliseu não comentou o anúncio.

"Normalização" do novo governo sírio

"Emmanuel Macron foi uma força motriz na 'normalização' do novo governo sírio. Ele ajudou al-Chareh a se inserir no cenário internacional", afirma o especialista em Síria Arthur Quesnay. Segundo o pesquisador vinculado à Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, "muito se disse que Macron apostou em al-Chareh. Ele precisa mostrar agora que foi uma boa aposta", já que a matriz jihadista do movimento continua sendo "uma fonte de preocupação", apesar das garantias dadas pelas novas autoridades aos seus parceiros.

Al-Chareh comprometeu-se a proteger as minorias de um país multiétnico e multirreligioso, mas não conseguiu impedir os massacres de alauítas, comunidade da qual se origina o clã Assad, em março de 2025, nem os confrontos sangrentos com combatentes drusos há um ano. Em Paris, Macron instou o líder a proteger "todos os sírios sem exceção", mensagem que deverá reiterar em Damasco.

A luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico, na qual Damasco agora participa plenamente, e a presença dos últimos jihadistas franceses em território sírio certamente estarão entre os temas discutidos durante a visita. A presença síria no Líbano também poderá ser abordada. Paris não esconde sua discordância em relação ao desejo, manifestado diversas vezes pelo presidente norte-americano Donald Trump, de ver a Síria se envolver no Líbano para "cuidar" do Hezbollah pró-Irã. Al-Chareh assegurou recentemente não ter qualquer intenção de intervir no país vizinho.

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O anúncio da visita ocorre após um atentado à bomba ter matado dez pessoas em um café de Damasco na quinta-feira (2), ilustrando os desafios enfrentados pelos novos dirigentes sírios.

(Com agências)

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