Quem é John Ternus, o futuro CEO da Apple

21 abr 2026 - 09h56

Engenheiro de hardware assumirá liderança em meio à tentativa da Apple de recuperar terreno no campo da IA. Americano está na empresa desde 2001 e foi responsável por produtos como Apple Watch e AirPods.Responsável por transformar a Apple em uma companhia avaliada em 4 trilhões de dólares (R$ 19 trilhões), o atual CEO Tim Cook deixará seu cargo em setembro e será substituído por John Ternus - engenheiro de hardware e vice-presidente sênior da empresa.

Ternus foi peça-chave na transição da Apple para chips próprios
Ternus foi peça-chave na transição da Apple para chips próprios
Foto: DW / Deutsche Welle

Cook, de 65 anos, liderou a Apple por 15 anos após suceder o cofundador Steve Jobs. Em comunicado, afirmou que comandar a empresa foi "o maior privilégio" de sua vida.

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A mudança na cúpula ocorre nos 50 anos da empresa e em um momento de profundas transformações na indústria, impulsionadas pelo avanço da inteligência artificial. A Apple tenta manter a competitividade no mercado global de tecnologia - o que, para analistas, torna Ternus uma escolha natural, especialmente por sua experiência técnica.

Ternus entrou na Apple em 2001 na equipe de design de produtos, participando do desenvolvimento de iPhones, iPads e Macs. Enquanto Cook se destacou por organizar a complexa cadeia de suprimentos global e consolidar a China como principal base de fabricação dos dispositivos da empresa, o próximo CEO tem um perfil mais voltado à engenharia prática.

Ele passou mais de uma década à frente das equipes que lançaram, por exemplo, o Apple Watch, os AirPods e o headset Vision Pro, além de ter sido peça-chave na transição para chips próprios. O movimento deu à Apple mais controle sobre desempenho, eficiência e integração entre hardware e software.

Pressão por avanço em IA

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Apesar de ter conduzido a Apple a novas categorias, Cook não é associado a um "grande salto" tecnológico comparável aos de Jobs. Alguns projetos sob sua gestão fracassaram, como o carro autônomo multibilionário cancelado em 2024 e o lançamento problemático do Apple Maps em 2012. O Vision Pro, embora tecnicamente avançado, teve adoção limitada devido ao preço elevado.

A expectativa agora é que Ternus enfrente forte pressão para entregar resultados rápidos em IA. A empresa encara concorrência intensa, pressões regulatórias e desafios na cadeia de suprimentos, enquanto busca um novo motor de crescimento além do iPhone.

A transição ocorre enquanto rivais como Google, Microsoft e OpenAI avançam mais rapidamente com recursos generativos e chatbots. A Apple tem sido criticada pela demora em atualizar a assistente Siri e recorrer ao Google para reforçar suas capacidades de inteligência artificial.

Segundo a Bloomberg, Ternus já reorganizou sua divisão de hardware em torno de uma nova plataforma de IA voltada ao desenvolvimento de produtos e à melhoria de qualidade.

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Mas para recuperar terreno, a Apple ainda precisa tornar a Siri mais inteligente e natural, criar recursos de IA realmente úteis e integrados ao ecossistema e transformar essas capacidades em motivos concretos para consumidores comprarem novos dispositivos e serviços. A empresa também desenvolve novos produtos, como AirPods mais inteligentes, óculos, um pingente com câmera e dispositivos domésticos com reconhecimento facial, robótica e segurança.

Transição adiantada

As ações da Apple caíram levemente após o anúncio. Analistas afirmaram que a sucessão já era esperada, mas o momento surpreendeu, já que Cook deveria permanecer mais um ano. Dan Ives, da Wedbush, disse que Ternus permitirá uma transição suave e que sua escolha "faz muito sentido culturalmente".

Para analistas da DeepWater Asset Management, Ternus já era visto como sucessor natural e herda um dos maiores ativos da Apple: sua cultura. Eles acreditam que ele pode impulsionar a empresa na IA sem comprometer qualidade.

gq/md (AFP, DW)

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