Protestos contra o aumento do custo de vida e a precariedade dos serviços públicos geraram violentos confrontos, saques e depredações em Milão e outras cidades do norte da Itália. A polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água, resultando em dezenas de detidos e 28 presos. Em resposta aos distúrbios, a primeira-ministra Giorgia Meloni chamou os vândalos de arruaceiros e convocou uma reunião de emergência para discutir a segurança no país.
Duas dezenas de manifestantes foram presos nos atos que se espalharam pelo norte do país. Primeira-ministra Giorgia Meloni convocou reunião para tratar da segurança.A polícia de Milão, na Itália, entrou em confronto neste domingo (18/10) com manifestantes que atiraram pedras e saquearam lojas durante protestos contra a precariedade dos serviços públicos e o aumento do custo de vida, um dia depois de distúrbios semelhantes em várias cidades italianas.
Policiais com equipamento de choque dispararam gás lacrimogêneo e utilizaram canhões de água após várias centenas de manifestantes encapuzados quebrarem vitrines e incendiarem latas de lixo no centro da cidade. Mais de 60 manifestantes foram levados para delegacias para averiguações adicionais, informou a agência de notícias Reuters.
Ao todo, 28 manifestantes foram presos após confrontos semelhantes registrados no sábado em cidades do norte da Itália, entre elas Milão, Bolonha, Bréscia, Bérgamo e Turim, segundo um relatório policial divulgado neste domingo.
Os confrontos lembraram a onda de violência ocorrida na vizinha França, onde centenas de milhares de pessoas, indignadas com o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos, foram às ruas no sábado em alguns dos protestos mais violentos dos últimos anos no país.
"Arruaceiros", diz Meloni
A primeira-ministra Giorgia Meloni convocou para segunda-feira uma reunião sobre segurança para tratar dos confrontos violentos entre forças de segurança e manifestantes. No sábado, ela classificou os vândalos como "arruaceiros que se aproveitam de manifestações para espalhar o caos, atacar aqueles que garantem a segurança e fazer cidades inteiras de reféns". "Manifestar-se é um direito. Destruir nossas cidades, não", escreveu a primeira-ministra de direita na rede X.
O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, afirmou ter presenciado "vitrines destruídas, lojas saqueadas e cidadãos assustados". "O que aconteceu aqui é o que estamos vendo em muitas cidades ao redor do mundo", disse à agência de notícias Ansa. "Estou muito preocupado porque é um fenômeno novo, que também tem origem em um cenário internacional e, por isso, se alimenta a si próprio", disse o político de centro-esquerda.
fcl (AFP, Reuters)