Protestos contra Trump tomam as ruas dos Estados Unidos

Entenda como a assinatura de Donald Trump nas notas de dólar e a guerra no Irã levaram milhões às ruas neste sábado (28)

28 mar 2026 - 21h06

Os Estados Unidos acordaram sob o som de tambores e gritos de resistência neste sábado (28), em um dia de protestos contra o atual presidente do país, Donald Trump. Esta é uma a das maiores mobilizações populares da história recente dos EUA.  O movimento, batizado estrategicamente de No Kings (Sem Reis), levou milhões de cidadãos às ruas em todos os 50 estados americanos para protestar contra as diretrizes do segundo mandato do presidente.

Protestos contra Trump tomam as ruas dos Estados Unidos
Protestos contra Trump tomam as ruas dos Estados Unidos
Foto: Getty Images / Perfil Brasil

O epicentro das atenções globais foi o estado de Minnesota, onde uma multidão oceânica ocupou o gramado do Capitólio em St. Paul. A indignação coletiva foca na percepção de uma autocracia crescente, simbolizada por atos personalistas do republicano, como a recente e polêmica inserção de sua própria assinatura nas novas notas de dólar americano.

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Protesto contra Trump: 'No Kings'

A presença do astro do rock Bruce Springsteen elevou a temperatura emocional do evento em Minnesota. O músico, uma voz histórica do operariado americano, apresentou a canção "Streets of Minneapolis", composta como um manifesto de dor e revolta. A letra é uma resposta direta às mortes de Renee Good e Alex Pretti, moradores locais mortos por agentes federais do ICE durante operações de imigração. No palco, o artista não poupou críticas ao atual governo e foi enfático ao declarar para a multidão: "Esse pesadelo reacionário, e estas invasões de cidades americanas, não serão tolerados". Para os organizadores, o apoio de figuras públicas desse calibre explica o salto para mais de 3.100 eventos registrados simultaneamente pelo país.

Além da crise migratória interna, a política externa de Donald Trump tornou-se o novo combustível para a fúria popular. Os manifestantes protestam contra o envolvimento direto dos Estados Unidos na guerra no Irã, uma ofensiva lançada em parceria com Israel que apresenta objetivos incertos e um número crescente de baixas entre militares americanos. Em locais icônicos como a Times Square, em Nova York, e o Lincoln Memorial, em Washington, cartazes com dizeres como "A mudança de regime começa em casa" e "Chega de reis" sinalizam que a oposição ao governo atingiu seu nível mais estridente e visível desde a posse em janeiro de 2025.

O tom personalista de Trump, que tem estampado seu nome em diversas instituições nacionais, é visto pelos críticos como um desvio perigoso das tradições democráticas dos Estados Unidos. Em Washington, o grupo que marchou pelo National Mall utilizou sinos e tambores para amplificar o coro de que o país não aceitará uma figura monárquica no poder. Esta é a terceira grande onda de protestos do movimento No Kings em menos de um ano, consolidando uma resistência que parece ganhar corpo à medida que os prazos e custos da guerra no Oriente Médio se tornam mais onerosos para a sociedade americana. O governo, até o momento, mantém o silêncio sobre a magnitude das manifestações que paralisaram os grandes centros urbanos neste sábado.

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