Os Estados Unidos acordaram sob o som de tambores e gritos de resistência neste sábado (28), em um dia de protestos contra o atual presidente do país, Donald Trump. Esta é uma a das maiores mobilizações populares da história recente dos EUA. O movimento, batizado estrategicamente de No Kings (Sem Reis), levou milhões de cidadãos às ruas em todos os 50 estados americanos para protestar contra as diretrizes do segundo mandato do presidente.
O epicentro das atenções globais foi o estado de Minnesota, onde uma multidão oceânica ocupou o gramado do Capitólio em St. Paul. A indignação coletiva foca na percepção de uma autocracia crescente, simbolizada por atos personalistas do republicano, como a recente e polêmica inserção de sua própria assinatura nas novas notas de dólar americano.
Protesto contra Trump: 'No Kings'
A presença do astro do rock Bruce Springsteen elevou a temperatura emocional do evento em Minnesota. O músico, uma voz histórica do operariado americano, apresentou a canção "Streets of Minneapolis", composta como um manifesto de dor e revolta. A letra é uma resposta direta às mortes de Renee Good e Alex Pretti, moradores locais mortos por agentes federais do ICE durante operações de imigração. No palco, o artista não poupou críticas ao atual governo e foi enfático ao declarar para a multidão: "Esse pesadelo reacionário, e estas invasões de cidades americanas, não serão tolerados". Para os organizadores, o apoio de figuras públicas desse calibre explica o salto para mais de 3.100 eventos registrados simultaneamente pelo país.
Além da crise migratória interna, a política externa de Donald Trump tornou-se o novo combustível para a fúria popular. Os manifestantes protestam contra o envolvimento direto dos Estados Unidos na guerra no Irã, uma ofensiva lançada em parceria com Israel que apresenta objetivos incertos e um número crescente de baixas entre militares americanos. Em locais icônicos como a Times Square, em Nova York, e o Lincoln Memorial, em Washington, cartazes com dizeres como "A mudança de regime começa em casa" e "Chega de reis" sinalizam que a oposição ao governo atingiu seu nível mais estridente e visível desde a posse em janeiro de 2025.
O tom personalista de Trump, que tem estampado seu nome em diversas instituições nacionais, é visto pelos críticos como um desvio perigoso das tradições democráticas dos Estados Unidos. Em Washington, o grupo que marchou pelo National Mall utilizou sinos e tambores para amplificar o coro de que o país não aceitará uma figura monárquica no poder. Esta é a terceira grande onda de protestos do movimento No Kings em menos de um ano, consolidando uma resistência que parece ganhar corpo à medida que os prazos e custos da guerra no Oriente Médio se tornam mais onerosos para a sociedade americana. O governo, até o momento, mantém o silêncio sobre a magnitude das manifestações que paralisaram os grandes centros urbanos neste sábado.