A Polícia Civil de São Paulo indiciou o tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, pelos crimes de feminicídio e fraude processual. O oficial é investigado pela morte de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, atingida por um disparo na cabeça em fevereiro. Nesta terça-feira (17), a Polícia Civil, com o aval do Ministério Público e da Corregedoria da PM, solicitou à Justiça a prisão do investigado.
A conclusão do indiciamento sobre o feminicídio baseou-se em novos laudos da Polícia Técnico-Científica. A perícia analisou a trajetória do projétil e a profundidade dos ferimentos, descartando a hipótese de suicídio inicialmente registrada.
Os exames complementares revelaram:
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Sinais de agressão: O corpo da vítima apresentava lesões no rosto e pescoço, compatíveis com pressão digital e marcas de unhas.
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Estado de consciência: Peritos indicaram que a policial pode ter desmaiado antes do disparo, não apresentando sinais de defesa.
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Cena do crime: Foram encontradas manchas de sangue em diferentes cômodos do apartamento, além de indícios de que o corpo foi movido e a arma posicionada na mão da vítima.
Depoimentos de socorristas do Corpo de Bombeiros e do SAMU levantaram dúvidas sobre a versão de Geraldo Neto. O oficial afirmou que estava no banho no momento do disparo, por volta das 7h, mas as equipes de resgate relataram que o tenente-coronel estava seco e que não havia marcas de água no imóvel.
Testemunhas também apontaram um intervalo de aproximadamente 30 minutos entre o som do disparo, ouvido por vizinhos às 7h28, e a primeira chamada de emergência feita pelo marido, às 7h57. Além disso, o comportamento do oficial foi descrito como calmo, sem sinais de desespero ou tentativa de prestar socorro.
A investigação apura a presença de terceiros no imóvel após o crime. Câmeras de segurança registraram a entrada de um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) no prédio pouco após o ocorrido.
Imagens também mostram três policiais militares entrando no apartamento cerca de 10 horas depois do óbito. Segundo relatos de testemunhas sob investigação, as agentes teriam realizado a limpeza do local. A defesa do tenente-coronel afirmou anteriormente que ele colabora com as autoridades, enquanto a defesa do magistrado declarou que ele compareceu ao local como amigo do oficial.