Países da Otan enviam tropas à Groenlândia em reação a Trump

A medida tem efeito imediato e vai envolver exercícios militares com aeronaves, navios e tropas terrestres, informou o governo dinamarquês

14 jan 2026 - 19h40
(atualizado às 20h06)
Groenlândia reforçou segurança após ameaças de Trump
Groenlândia reforçou segurança após ameaças de Trump
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Dinamarca, França e Alemanha realizarão manobras militares na ilha, que vem sendo alvo de arroubos de presidente dos EUAA Dinamarca anunciou, nesta quarta-feira, 14, que vai aumentar a presença militar na Groenlândia, em meio às afirmações do presidente Donald Trump de que é "inaceitável" que os Estados Unidos não controlem a maior ilha do mundo.

A medida tem efeito imediato e vai envolver exercícios militares com aeronaves, navios e tropas terrestres, informou o governo dinamarquês. França, Alemanha, Noruega e Suécia, que são aliados da Dinamarca na Otan, também enviarão soldados à região.

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De acordo com o governo da Dinamarca, que administra o estado semiautônomo da Groenlândia, as manobras militares têm como objetivo o aumento da presença da Otan na região. "Tensões na segurança se estenderam até o Ártico", disseram os ministérios de Groenlândia e Dinamarca, em uma nota conjunta.

Para a ilha, o Ministério de Defesa alemão mobilizou uma equipe da Bundeswehr, composta por 13 membros, que serão enviados nesta quinta-feira para a capital Nuuk a pedido do governo dinamarquês.

Segundo Berlim, a missão tem como objetivo "explorar as condições estruturais para possíveis contribuições militares para apoiar a Dinamarca na garantia da segurança na região".

A Suécia também anunciou que enviará militares para o Ártico. "Vários oficiais das Forças Armadas suecas estão chegando hoje à Groenlândia. Eles fazem parte de um grupo de vários países aliados", escreveu o primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson no X.

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França e Noruega também confirmaram envios de tropas ao território dinamarquês.

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Encontro em Washington

O comunicado ocorreu no mesmo dia em que representantes da Groenlândia e da Dinamarca se reuniram com o vice-presidente americano, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, em Washington.

Após o encontro, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, disse que estava claro que Trump "tem o desejo de conquistar a Groenlândia", o que ele argumentou ser "absolutamente desnecessário".

EUA e Dinamarca partilham uma "discordância fundamental", disse Rasmussen. A ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, também participou das negociações.

"Acho muito importante reiterar o quanto é importante, da nossa parte, fortalecer a cooperação com os Estados Unidos, mas isso não significa que queremos ser propriedade dos Estados Unidos. Mas, como aliados, como podemos fortalecer nossa cooperação? É do nosso interesse", disse ela.

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Foi anunciada também a criação de um grupo de trabalho de alto nível para encontrar um "caminho em comum".

Os EUA têm uma base na Groenlândia, e os dinamarqueses acreditam que essa estrutura é suficiente para garantir a segurança no Ártico.

"Os EUA já têm amplo acesso militar à Groenlândia sob o acordo de defesa de 1951, os EUA sempre podem solicitar o aumento de sua presença na Groenlândia e, portanto, gostaríamos de saber se os EUA têm alguma outra solicitação a fazer. Nesse aspecto, examinaríamos qualquer solicitação desse tipo de forma construtiva", acrescentou Rasmussen.

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Trump quer a ilha

O presidente dos EUA, Donald Trump, vem reforçando o desejo de anexar a Groenlândia, afirmando que todas as opções estavam em aberto, incluindo uma compra ou ação militar.

"A Otan se torna muito mais formidável e eficaz com a Groenlândia nas mãos dos Estados Unidos. Qualquer coisa menos do que isso é inaceitável", postou ele na rede Truth Social nesta quarta (14/1), em mais um ataque à administração dinamarquesa na ilha.

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O presidente não participou da reunião com os ministros da Dinamarca e da Groenlândia. Em uma conversa com repórteres no Salão Oval após as negociações, ele reiterou seu compromisso em adquirir o território.

"Precisamos da Groenlândia para a segurança nacional", disse Trump. "Vamos ver como tudo vai acabar. Acho que algo vai dar certo", completou.

Uma das justificativas do republicano é que a ilha no Ártico seria fundamental para a construção do "Domo de Ouro", um projeto de sistema antimísseis dos Estados Unidos.

O presidente americano também tem reiterado que a Groenlândia estaria sob ameaça de controle pela Rússia e pela China. O estado semiautônomo administrado pela Dinamarca tem reservas minerais de ouro e urânio em abundância, além de potencial em exploração do petróleo, e detém terras raras que podem estar entre as maiores do planeta.

A maior ilha do mundo também se tornaria um ponto central no estabelecimento de novas rotas de navegação pelo Ártico, que podem surgir com o derretimento do gelo motivado pelas mudanças climáticas e que também seriam do interesse da China.

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*fcl (dpa, afp, reuters, ots)

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