Trump ameaça cortar financiamento a Estados com cidades-santuário; confrontos aumentam em Minneapolis

14 jan 2026 - 18h17

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira que deve cortar no próximo mês o financiamento federal para qualquer Estado que tenha cidades-santuário, expandindo seus ataques a cidades administradas principalmente por democratas após dias de confrontos caóticos nas ruas de Minneapolis.

A promessa de Trump, anunciada via redes sociais, repetiu os comentários feitos por ele pela primeira vez durante ‌um discurso em Detroit, na terça-feira, quando disse que interromperia os pagamentos a partir de 1º de fevereiro a qualquer Estado que tiver cidades-santuário, que limitam a cooperação das autoridades locais com ‌os agentes federais de imigração.

Publicidade

Qualquer iniciativa do tipo deve ser, sem dúvida, contestada na Justiça. Em agosto, um juiz federal barrou uma tentativa anterior de congelamento do financiamento de mais de 30 jurisdições com santuários.

A declaração de Trump ocorreu em meio à escalada de tensões em Minneapolis, uma semana após um agente de imigração norte-americano atirar fatalmente em Renee Good, de 37 anos, cidadã norte-americana, em seu carro.

O governo Trump enviou mais de 2.000 agentes federais para a cidade, apesar das fortes objeções do prefeito, Jacob Frey, um democrata. Os agentes parecem estar realizando varreduras itinerantes e prendendo ‍pessoas sem mandados, com base em relatos e vídeos de residentes.

Jornalistas da Reuters documentaram dezenas de agentes armados pelas ruas geladas de bairros residenciais, vestindo equipamentos de camuflagem de estilo militar e máscaras cobrindo o rosto, muitas vezes recebidos por moradores que sopram apitos e gritam com os agentes.

Publicidade

Em algumas ocasiões, os agentes quebraram vidros de carros e retiraram pessoas de seus veículos, mostraram vídeos. Alguns confrontaram cidadãos norte-americanos não brancos, exigindo sua identificação antes de se afastarem, provocando vaias e acusações de racismo por parte dos ‌espectadores.

Os agentes usaram químicos irritantes contra manifestantes, às vezes disparando spray de pimenta laranja nos rostos a curta distância ou acendendo granadas ‌de efeito moral perto de grupos nas ruas.

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês) defendeu-se das alegações de má conduta por parte dos agentes, dizendo que eles têm sido cada vez mais sujeitos a agressões ao tentar encontrar e deter infratores da imigração.

O DHS também rejeitou as acusações de discriminação racial, dizendo que as prisões são baseadas em suspeitas razoáveis de que os indivíduos não têm status legal de imigração. No ano passado, o departamento obteve uma decisão da Suprema Corte permitindo que a etnia de uma pessoa seja um "fator relevante", juntamente com outros, para decidir se os agentes têm motivo suficiente para parar e interrogar alguém.

Publicidade

Os agentes de imigração também prenderam cidadãos norte-americanos por supostamente atrapalharem a fiscalização. Grupos de agentes perseguiram manifestantes, incluindo um homem vestido com uma fantasia de girafa, antes de jogá-los no chão para detê-los.

A organização sem fins lucrativos World Relief disse que dezenas de refugiados legais no Estado, incluindo crianças, foram presos durante o fim de semana e detidos como parte de um esforço de Trump para reavaliar os refugiados que entraram sob o comando do antecessor democrata de Trump, Joe Biden.

"Essas são crianças e famílias inocentes que fugiram das piores guerras e perseguições imagináveis", disse o presidente da World Relief, Myal Greene.

Beth Oppenheim, presidente-executiva da HIAS, outro grupo de reassentamento, disse que os refugiados sob custódia ainda não tinham obtido residência permanente, e muitos foram levados para centros de detenção no Texas, longe de suas casas.

"Essas pessoas estão aqui com status legal, tendo sido totalmente verificadas pelo nosso governo", disse ela.

Publicidade

Questionado sobre as prisões de refugiados legais, o DHS se referiu às alegações de fraude contra membros da comunidade somali em Minnesota.

"O governo Trump não ficará de braços cruzados enquanto o sistema de imigração dos EUA é usado como arma por aqueles que buscam fraudar o povo norte-americano", disse um porta-voz do DHS.

Nos últimos meses, Trump se concentrou nas alegações de fraude, chamando os imigrantes somalis em Minnesota de "lixo" e dizendo que os quer fora do ‌país. Autoridades do governo tentaram vincular a repressão em Minneapolis ao escândalo.

O presidente não especificou quais Estados sofreriam cortes de verbas sob sua ameaça, mas o Departamento de Justiça dos EUA publicou em agosto uma lista de "jurisdições santuárias" localizadas em 19 Estados e no Distrito de Colúmbia. Cerca de 160 milhões de pessoas vivem nesses estados, pouco menos da metade da população dos EUA.

Trump, um republicano, argumentou que operações em larga escala em cidades lideradas por democratas são necessárias porque as cidades não cooperam suficientemente com a fiscalização da imigração.

Publicidade
Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações