Chanceler dinamarquês diz que Washington e Copenhague têm posições 'divergentes' sobre Groenlândia

Uma delegação da Dinamarca e da Groenlândia foi recebida na Casa Branca nesta quarta-feira (14) para um encontro crucial, após Donald Trump reiterar seu desejo de adquirir o território. Os ministros das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, e groenlandesa, Vivian Motzfeldt, se reuniram com o vice-presidente americano JD Vance e o secretário de Estado, Marco Rubio.

14 jan 2026 - 16h34

Após a reunião, o ministro das Relações Exteriores dinamarquês afirmou que a Dinamarca e os Estados Unidos têm um "desacordo fundamental" sobre a Groenlândia, descrevendo suas posições como "divergentes".

O Ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lökke Rasmussen, e a Ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, preparam-se na embaixada dinamarquesa para uma reunião com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na Casa Branca, em Washington, EUA, em 14 de janeiro de 2026.
O Ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lökke Rasmussen, e a Ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, preparam-se na embaixada dinamarquesa para uma reunião com o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, e o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na Casa Branca, em Washington, EUA, em 14 de janeiro de 2026.
Foto: via REUTERS - Mads Claus Rasmussen / RFI

É "absolutamente desnecessário" que os Estados Unidos tomem posse da Groenlândia, como ameaçado pelo presidente americano Donald Trump, disse Lars Lokke Rasmussen a jornalistas.

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O presidente americano não compareceu à reunião, mas preparou o terreno para ela ao escrever em sua rede social Truth Social antes do início do encontro: os Estados Unidos "precisam da Groenlândia por razões de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo".

Esta é a primeira vez que Trump vincula o gigantesco projeto americano de defesa antimísseis à posse do território autônomo dinamarquês.

Durante as discussões, a Casa Branca divulgou uma charge na rede social X, com a legenda: "Para onde você vai, homem da Groenlândia?"

A ilustração retrata dois trenós puxados por cães, cada um com um destino possível: os Estados Unidos, simbolizados pela Casa Branca sob um vasto céu azul, ou a China e a Rússia, representadas pela Grande Muralha da China e pela Praça Vermelha na escuridão.

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Desde que retornou ao poder, Donald Trump tem mencionado regularmente a possibilidade de tomar o controle da imensa ilha ártica, estratégica, mas pouco povoada. Ele afirmou que vai conquistá-la "de um jeito ou de outro". A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, declarou no início de janeiro que um ataque americano à Groenlândia seria "o fim de tudo" e, em particular, o fim da Otan, da qual os Estados Unidos e a Dinamarca são membros.

Diálogo

Em uma tentativa de apaziguar Washington, a Dinamarca prometeu "reforçar sua presença militar" na Groenlândia a partir de quarta-feira e dialogar com a Otan para aumentar a presença aliada no Ártico.

A Suécia anunciou que enviará militares para a Groenlândia para exercícios, a pedido de Copenhague.

Mas o presidente americano acredita que somente a anexação direta do território pelos Estados Unidos garantirá sua segurança contra as ambições de Pequim e Moscou.

"Defendemos o que é nosso, não o que alugamos", declarou recentemente. O vice-presidente JD Vance compartilha dessa linha dura.

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Durante uma visita à Groenlândia na primavera, para a qual não havia sido convidado, ele chamou a Dinamarca de "aliado ruim", criticando seu fraco compromisso com a segurança no Ártico.

Lars Lokke Rasmussen esperava esclarecer "certos mal-entendidos" durante a reunião em Washington, já que a Dinamarca e a Groenlândia rejeitam qualquer ideia de a ilha se unir aos Estados Unidos.

Diante dessas ameaças, os europeus apoiam Copenhague: o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que uma violação da soberania da Dinamarca teria "consequências em cascata sem precedentes".

Escolhas

"Se tivéssemos que escolher entre os Estados Unidos e a Dinamarca agora, escolheríamos a Dinamarca", disse o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, na terça-feira, durante uma visita a Copenhague.

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"A Groenlândia não pertencerá aos Estados Unidos. A Groenlândia não será governada pelos Estados Unidos. A Groenlândia não fará parte dos Estados Unidos", enfatizou.

Como sinal de unidade nacional, bandeiras da Groenlândia foram colocadas nas ruas pouco povoadas da capital, Nuuk, em vitrines, janelas de apartamentos, carros e ônibus, na quarta-feira.

"Estamos unidos nestes tempos em que podemos nos sentir vulneráveis", escreveu a prefeitura no Facebook. Copenhague destaca que investiu quase 90 bilhões de coroas dinamarquesas (R$ 75,3 bilhões) para fortalecer sua presença militar no Ártico.

Mas Donald Trump ridiculariza os esforços. Ele reiterou na quarta-feira que "dois trenós puxados por cães não são suficientes" para defender o território.

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Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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